Relatório do Coaf aponta repasses de R$ 3,6 milhões a ACM Neto
Documentos do órgão de inteligência financeira relacionam pagamentos do Banco Master e de gestora a empresa ligada ao ex-prefeito; o período considerado vai de junho de 2023 a maio de 2024.

Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicam movimentações que ligam recursos de instituições financeiras a uma empresa da qual ACM Neto consta como sócio administrador. Os registros apontam transferências realizadas entre junho de 2023 a maio de 2024 e incluem repasses originados em bancos e em gestoras de fundos com atuação nacional.
A empresa A&M Consultoria aparece em três lançamentos relacionados ao Banco Master, sendo registrada duas vezes como titular e uma vez como beneficiária em planilhas internas. Relatórios do órgão indicam que as movimentações somaram valores que, conforme cruzamento de dados, correspondem a montantes superiores a um milhão de reais por instituição.
Relatório do Coaf aponta repasses de R$ 3,6 milhões a ACM Neto
Segundo os documentos, a A&M recebeu 1,55 milhão de reais em onze repasses oriundos de uma gestora identificada nos registros e 1,34 milhão de reais em nove repasses do Banco Master. A soma dos valores mencionados aparece nas planilhas analisadas como parte de movimentações financeiras que atraíram atenção do setor de inteligência por conta de sua frequência e volume.
A empresa tem capital social registrado de dois mil reais e quadro societário que inclui o ex-prefeito como administrador e sua esposa como sócia, segundo os registros. A atividade principal foi descrita como prestação de consultoria em gestão empresarial e a atividade secundária como apoio à educação, conforme as informações públicas da pessoa jurídica.
Fontes ouvidas pela equipe de reportagem afirmaram que os contratos e notas fiscais relativos aos serviços constam na documentação apresentada e que tributos foram recolhidos nos períodos referidos. A parte citada nas anotações respondeu por meio de vídeo em rede social, negando irregularidades e afirmando que os serviços prestados foram lícitos, com emissão de nota e recolhimento de tributos.
O ex-prefeito declarou que os contratos foram celebrados com instituições que à época eram consideradas entre as principais do país e que não havia investigação conhecida contra elas. Ele também anunciou intenção de protocolar requerimento no Supremo Tribunal Federal para apurar eventuais vazamentos das informações que constam nos relatórios do órgão de controle.
As movimentações registradas pelo conselho integram rotinas de análise que visam identificar operações atípicas e possíveis desvios, processo que envolve cruzamento de dados e consultas a bases oficiais. As informações são compiladas em relatórios que não representam, por si sós, acusação formal e servem como subsídio para investigações complementares conduzidas por autoridades competentes.
Especialistas consultados explicaram que a presença de uma pessoa jurídica em planilhas de movimentação não determina, automaticamente, ilícito, sendo necessária análise do contexto, do contrato e da prestação efetiva do serviço. Os peritos alertaram para a importância de verificar documentos fiscais, fluxos de caixa e o cumprimento de obrigações tributárias para formar conclusão técnica sobre eventual irregularidade.
A investigação sobre a gestora de fundos mencionada nos documentos está sob alçada da Polícia Federal, conforme apontam órgãos que acompanham apurações financeiras de grande escala. Fontes oficiais indicam que procedimentos de cooperação entre instâncias de controle e forças de segurança podem ser ativados quando elementos novos surgem a partir de cruzamentos e denúncias.
O caso reacende o debate sobre transparência em contratos de prestação de serviços com agentes públicos e sobre a necessidade de controles mais robustos para evitar conflitos de interesse. Analistas destacam que medidas preventivas em órgãos públicos e normas sobre divulgação de contratos podem reduzir dúvidas e fortalecer a confiança nas instituições responsáveis pela gestão de recursos.
A expectativa é que autoridades competentes avaliem integralmente os dados do conselho e decidam sobre a necessidade de instauração de procedimentos investigativos com base em evidências adicionais. A parte envolvida afirmou que adotará medidas legais para apurar eventuais vazamentos e garantir a proteção de dados pessoais e de informações empresariais que tenham sido divulgadas sem autorização.
A reportagem continuará acompanhando desdobramentos e buscará esclarecimentos junto aos órgãos de controle e às pessoas e empresas mencionadas nos documentos oficiais para complementar a apuração. Novas informações serão publicadas assim que documentos adicionais forem disponibilizados ou quando as instâncias competentes divulgarem resultados de perícias e decisões administrativas ou judiciais relacionadas aos fatos apurados.