Mensagens apontam atuação de advogados antes da prisão de Vorcaro
Registros e anotações obtidos pela investigação federal apontam contatos e ações de defesa que podem indicar acesso a informações sigilosas e motivaram envio de relatório ao STF.

Investigadores da Polícia Federal identificaram uma mensagem recebida por Daniel Vorcaro antes da operação que resultou em sua prisão em novembro de 2026. O conteúdo da comunicação motivou a apuração sobre possível acesso a informações com grau de sigilo e sobre interlocuções entre a defesa e agentes externos à investigação.
Relatórios da corporação registram que anotações encontradas em bloco de notas do aparelho de Vorcaro foram salvas horas antes da primeira prisão e indicaram contatos relevantes para a investigação. Entre esses registros constam referências a medidas adotadas por advogados que teriam gerado pressão sobre magistrados responsáveis por processos financeiros na capital federal.
O relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal contém o resumo das anotações e as evidências coletadas durante diligências vinculadas ao caso do Banco Master. A autuação pela primeira instância teve como base a análise dessas informações e resultou na expedição de medidas cautelares contra o empresário investigado.
O juiz responsável pela instrução daquela fase proferiu decisão que autorizou a prisão, e o cumprimento da ordem ocorreu no mesmo mês em que as mensagens e anotações foram registradas. O acusado foi libertado dez dias depois por decisão de instância superior que concedeu habeas corpus, e o caso passou a tramitar com novas medidas processuais e recursos apresentados pela defesa.
O advogado que figura nas anotações encerrou a representação do cliente em prazo inferior a um mês após a primeira prisão, e a substituição ocorreu antes de uma nova detenção do investigado. Posteriormente outra alteração na equipe de defesa foi registrada com a troca do advogado de origem por novo causídico, fato que aumentou a especulação sobre a estratégia de negociação de eventual colaboração premiada.
O escritório que representou o investigado emitiu nota em que afirma ter agido para localizar o procedimento investigatório e para apresentar petição dirigida à vara competente em questões do sistema financeiro. No comunicado a banca negou qualquer participação em obtenção indevida de informações sigilosas e sustentou que atuou em conjunto com outros escritórios visando a defesa dentro dos limites legais.
A avaliação dos peritos e dos agentes que conduziram a apuração ainda está em curso e inclui levantamento de comunicações e cruzamento de dados extraídos de aparelhos eletrônicos vinculados aos investigados. O material reunido servirá de base para peças processuais e para eventuais pedidos de novas diligências por parte da autoridade policial ou da acusação no seguimento do inquérito.
A defesa do magistrado citado foi procurada pela reportagem e não apresentou manifestação até o momento da publicação, conforme os prazos regimentais e a rotina de verificação de posicionamentos institucionais. As autoridades superiores responsáveis pela supervisão dos processos e pelo encaminhamento das medidas cabíveis foram informadas sobre as constatações e manterão os procedimentos previstos na legislação enquanto o caso segue em investigação.