
Deputados vistam o Crer para aferir desempenho: a transparência na gestão e a qualidade dos serviços de saúde pública em Goiás serão colocadas sob o microscópio na próxima terça-feira, 28 de Outubro, com a visita técnica da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) ao Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia.
Deputados vistam o Crer para aferir desempenho
A inspeção, marcada para as 9 horas, faz parte de um esforço contínuo dos parlamentares em fiscalizar e acompanhar de perto o funcionamento das unidades de saúde estaduais. O objetivo central é claro: acompanhar o dia a dia da unidade, avaliar a excelência dos serviços de reabilitação oferecidos e obter informações detalhadas sobre o atendimento prestado à população goiana, que depende fundamentalmente deste centro de referência.
O Crer é um centro de excelência que possui uma relevância que ultrapassa as fronteiras de Goiás. Sua especialização em reabilitação física e readaptação o torna um pilar indispensável para pacientes com necessidades complexas, oferecendo acesso a tratamentos de alta tecnologia e humanização. A unidade atende pacientes de todo o estado e, em muitos casos, de outras regiões do país, consolidando-se como uma das maiores referências do Brasil.
O centro também é emblemático por ser uma das principais conquistas do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que criou e construiu a unidade. Marconi frequentemente utiliza o Crer como um símbolo do sucesso do modelo de Organizações Sociais (OS) em sua gestão, destacando a capacidade de investimento e a visão em saúde pública especializada.
O Crer confirmou o recebimento do comunicado oficial da Alego e demonstrou total abertura à fiscalização. Em ofício enviado à Casa de Leis, a direção da unidade ressaltou que toda a equipe técnica e administrativa estará à disposição dos parlamentares.
Durante a inspeção, os membros da Comissão de Saúde da Alego deverão conhecer detalhadamente a estrutura física da unidade, os diversos setores de atendimento e readaptação, e, fundamentalmente, ouvir diretamente os profissionais e gestores sobre os desafios operacionais e os pontos de excelência.
A visita da Comissão de Saúde, no entanto, transcende o ato administrativo e ganha uma dimensão política. Com Marconi sendo um dos principais nomes na pré-candidatura ao Governo de Goiás em 2026, a fiscalização do Crer se torna um ponto de inflexão.
A qualidade atestada ou qualquer crítica levantada durante a inspeção terá um impacto direto no capital político do ex-governador. Um relatório positivo da Alego reforçará o legado de Marconi e sua plataforma administrativa para a próxima eleição. Por outro lado, qualquer falha ou necessidade de aprimoramento identificada no funcionamento do centro, que é uma de suas maiores bandeiras, pode ser explorada pelos adversários – embora a gestão esteja sob controle do atual governo.
Dessa forma, a visita técnica ao Crer é mais do que uma rotina de fiscalização. É um momento em que a qualidade do serviço público se cruza com o debate eleitoral, mantendo a unidade, símbolo de excelência em reabilitação, sob o escrutínio do Legislativo e da população goiana, que espera a manutenção de um padrão de atendimento de referência nacional.
É crucial para os deputados analisar como a Organização Social que administra o Crer se prepara para esta fiscalização de alto risco. A AGIR (Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde) deve mobilizar uma estratégia de “defesa técnica” rigorosa.
A AGIR, como a Organização Social (OS) responsável pelo gerenciamento, operacionalização e execução das ações do Crer, está sob contrato de gestão com o Governo de Goiás (atualmente sob Ronaldo Caiado). Diante da visita da Comissão de Saúde da Alego, a OS deve concentrar sua preparação em provas documentais de seu desempenho.
O principal pilar de defesa de uma OS é a comprovação do cumprimento das metas estabelecidas no Contrato de Gestão. A AGIR deve apresentar:
- Produtividade: Relatórios detalhados sobre o número de atendimentos, procedimentos, cirurgias e terapias realizadas (o Crer historicamente realiza milhares de procedimentos diários). Esses dados buscam mostrar que a unidade continua altamente produtiva.
- Qualidade e Acreditação: Apresentação de certificados de acreditação de qualidade (nacionais ou internacionais). O Crer tem um histórico de excelência, e a manutenção dessas certificações é prova de que o padrão não caiu.
- Gestão de Filas: Dados sobre a regulação e o tempo de espera dos pacientes, defendendo que o fluxo de atendimento é o mais otimizado possível, apesar da alta demanda, que é frequentemente apontada como a principal dificuldade.
Para rebater qualquer crítica sobre a aplicação de recursos (um ponto sempre sensível na gestão por OS), a AGIR deve garantir:
- Prestação de Contas: Facilidade no acesso a relatórios financeiros e orçamentários, mostrando a execução de gastos e a aplicação do repasse do Estado. A AGIR mantém um Portal da Transparência, e a exposição desses dados visa blindar a gestão contra acusações de desvio ou ineficiência financeira.
- Conformidade Legal: Demonstração do cumprimento rigoroso das leis, incluindo o regulamento de contratação de bens e serviços, para mostrar que os processos de compra são íntegros.
Para responder a questões levantadas por denúncias de pacientes e sindicatos – como o rodízio contínuo de profissionais ou questões de atendimento – a AGIR deve apresentar:
- Capacitação e Estabilidade: Dados sobre os programas de treinamento, especialização e a taxa de retenção dos profissionais, defendendo o investimento no corpo técnico e a qualificação da equipe multidisciplinar.
- Investimento em Infraestrutura: Provas de que a ampliação da estrutura (o Crer cresceu significativamente desde sua fundação) e a aquisição de novas tecnologias (como o laboratório de marcha) continuam.
Embora a gestão atual seja de Caiado, qualquer problema estrutural ou de concepção do Crer pode ser atribuído à gestão que o criou.
- Exposição de Filas ou Falhas no Atendimento (Mesmo que pontuais): Se a inspeção revelar longas filas de espera para certas terapias ou falta de equipamentos específicos, os deputados podem argumentar que a capacidade instalada da unidade, criada sob a gestão Marconi, é insuficiente para a demanda crescente. A culpa, neste caso, recairia sobre o planejamento inicial, e não apenas na execução atual.
- Destaque em Problemas Crônicos: Se houver relatos de problemas que são crônicos ou que foram herdados pela gestão atual, a oposição pode usá-los para pintar a obra de Marconi como incompleta ou com falhas estruturais de planejamento.
Crédito da Imagem: CRER/Divulgação