Disputa interna no PSD coloca Caiado em encruzilhada eleitoral para 2026
Eventual entrada na corrida ao Senado redesenharia acordos pela segunda vaga no estado

Disputa interna no PSD coloca Caiado em encruzilhada eleitoral para 2026: nos bastidores do PSD, o projeto presidencial de Ronaldo Caiado enfrenta um cenário competitivo e ainda indefinido dentro da própria sigla.
O governador de Goiás tenta se viabilizar como nome de perfil executivo e discurso firme, mas dirigentes do partido apontam que Ratinho Jr. aparece hoje com melhor desempenho nas pesquisas e menor rejeição nacional.
Disputa interna no PSD coloca Caiado em encruzilhada eleitoral para 2026
A palavra final, porém, passa pelo presidente do partido, Gilberto Kassab, que tem adotado uma lógica pragmática na condução do processo. Internamente, o critério central tende a ser a viabilidade eleitoral, especialmente a capacidade real de chegar ao segundo turno em um cenário de forte polarização.
Nesse cálculo, novas pesquisas nacionais previstas até março são tratadas como determinantes. A leitura entre dirigentes é que Kassab deve aguardar esses números para aferir qual pré-candidato demonstra mais competitividade e musculatura eleitoral fora de suas bases regionais.
Caiado, por sua vez, tenta ampliar sua projeção nacional em um ambiente onde sua força política ainda é vista como mais concentrada no Centro-Oeste. Aliados reconhecem que, apesar da visibilidade administrativa em Goiás, ele precisa consolidar palanques em estados estratégicos e ampliar articulações nacionais para equilibrar a disputa interna.
O histórico recente também é marcado por reviravoltas políticas. Caiado percorreu o país pela sigla União Brasil em movimento de pré-campanha, afirmando que o partido teria, nos bastidores, “carimbado” seu passaporte ao Planalto — o que não se confirmou. Em outra frente, sinalizou que a base governista em Goiás caminharia com o PL, algo que tampouco se concretizou integralmente.
Outro ponto de pressão é a própria estratégia eleitoral anunciada pelo governador. Caiado já declarou que não pretende disputar o Senado por Goiás caso não seja escolhido candidato à Presidência, o que abre a possibilidade concreta de ficar sem mandato ao fim do ciclo eleitoral.
Nos bastidores, há ainda a avaliação de que, mesmo fora da cabeça de chapa, ele aposta em manter protagonismo nacional ao se posicionar em um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, calculando que o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) poderia render espaço em um futuro ministério. A aposta, porém, é considerada de alto risco político, sobretudo em caso de vitória de Lula e ausência de mandato eletivo.
Diante desse cenário, o período até as convenções partidárias tende a ser decisivo. Caso não seja escolhido candidato à Presidência, Caiado pode rever o posicionamento e entrar na disputa ao Senado por Goiás para evitar ficar sem mandato.
Nos bastidores, esse cenário de incerteza sobre a segunda vaga ao Senado também produz efeitos diretos na sucessão estadual. A indefinição em torno do futuro político de Caiado embaralha o desenho das chapas majoritárias e mantém aliados em compasso de espera quanto à consolidação dos acordos.
Nesse contexto, o vice-governador e pré-candidato ao governo de Goiás, Daniel Vilela, do MDB, passa a ocupar uma posição politicamente desfavorável. Isso porque a definição de um nome para a segunda vaga ao Senado está diretamente atrelada à manutenção da engenharia eleitoral da base governista.
Caso Caiado, diante do impasse presidencial, decida rever sua posição e disputar o Senado, toda a construção prévia em torno dessa segunda vaga tende a ser desmontada. Na prática, isso reabre negociações internas, redistribui forças entre partidos aliados e altera compromissos já sinalizados nos bastidores.
Para Daniel, a indefinição prolongada dificulta a consolidação de apoios e a organização antecipada da chapa majoritária, uma vez que a composição ao Senado influencia diretamente o equilíbrio político da aliança. Sem um desenho claro, a estratégia eleitoral do grupo fica condicionada às decisões pessoais e partidárias do governador.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que um eventual reposicionamento de Caiado para o Senado não seria apenas uma mudança individual, mas um movimento com efeito dominó sobre toda a base. Se a segunda vaga for reaberta ou redefinida, a aliança pode sofrer reacomodações profundas, tensionando acordos e obrigando uma nova rodada de negociações entre os partidos que hoje orbitam o projeto governista em Goiás.