Dívida herdada de R$ 200 milhões na Saúde força Goiânia a prorrogar calamidade
Filas de espera somam mais de 361 mil pacientes que aguardam serviços especializados

Dívida herdada de R$ 200 milhões na Saúde força Goiânia a prorrogar calamidade: a Prefeitura de Goiânia prorrogou o estado de calamidade pública na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) por mais 180 dias. A medida, estabelecida pelo Decreto número 2.860 de 2025, entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026 e se estenderá até junho do mesmo ano.
A decisão foi justificada pela administração municipal devido à persistência de graves dificuldades financeiras e operacionais. A exposição de motivos do decreto aponta que a situação de “excepcional anormalidade” impede a recuperação plena da capacidade de execução das ações e serviços essenciais de saúde. O Diário Oficial do Município (DOM) de Goiânia detalha a situação crítica que levou à prorrogação.
Dívida herdada de R$ 200 milhões na Saúde força Goiânia a prorrogar calamidade
O quadro fiscal da saúde pública de Goiânia é marcado por um severo desequilíbrio, com passivos vultuosos herdados de gestões anteriores.
Um dos maiores entraves é a dívida com prestadores do Sistema Único de Saúde (SUS), acumulada em exercícios passados. Essa dívida se aproxima dos R$ 200 milhões de reais. Segundo a prefeitura, apenas 50% deste passivo financeiro foi renegociado, com os pagamentos ainda em fase inicial.
Adicionalmente, o Fundo Municipal de Saúde enfrenta um alto volume de obrigações financeiras pendentes, totalizando R$ 112.461.831,48em Restos a Pagar. Esse montante compromete diretamente as disponibilidades do fundo e a capacidade de investimento da pasta.
Filas de espera chegam a 361 mil pacientes
O reflexo mais grave do desequilíbrio financeiro e da instabilidade nos contratos é o aumento das filas reprimidas de consultas, exames e cirurgias. Um levantamento da secretaria demonstra um cenário crítico de espera. No total, as filas de espera somam mais de 361 mil pacientes que aguardam serviços especializados.
Ultrassonografia concentra o maior volume, com 182 mil 450 pacientes.
Endoscopia e colonoscopia têm 80 mil 481 pacientes na fila.
Exames laboratoriais registram 35 mil 828 pacientes aguardando.
Na área cirúrgica, 36 mil 613 pessoas esperam por cirurgia plástica, uma das especialidades com maior demanda reprimida.
A fila de consultas de dermatologia soma 13 mil 217 pacientes.
Angiologia tem 11 mil 553 pacientes.
Exames de alta complexidade, como cintilografia, registram 1 mil 100 pacientes.
Diante do quadro, a prorrogação do estado de calamidade pública é considerada pela prefeitura como uma medida indispensável. O objetivo é garantir instrumentos jurídicos adequados para dar continuidade às ações emergenciais e ao saneamento progressivo do passivo herdado, permitindo a regularização de fornecedores e a reorganização da rede de atendimento. Informações sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal e estados de calamidade podem ser encontradas no Portal da Transparência Federal.
Crédito da Imagem: Arquivo/Secom