Eleições na Bolívia: direita lidera; 23% seguem indecisos

Eleições na Bolívia: direita lidera; 23% seguem indecisos
Eleições na Bolívia movimentam o país andino neste domingo, 17 de agosto, quando cerca de 12 milhões de eleitores escolhem presidente, 130 deputados e 36 senadores. Pesquisas indicam vantagem de dois candidatos de direita, mas 23% do eleitorado ainda declara voto branco, nulo ou indeciso, cenário que mantém a disputa em aberto.
Direita avança, mas indecisos podem decidir
Levantamento da AtlasIntel divulgado na sexta-feira aponta o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, representante de uma direita mais radical, na liderança. Ele é seguido pelo empresário Samuel Doria Medina, visto como opção conservadora moderada. Caso as tendências se confirmem, ambos devem disputar o segundo turno em 19 de outubro.
Quiroga, que governou interinamente entre 2001 e 2002, promete romper relações com Venezuela, Cuba e Irã, embora pretenda manter a Bolívia como parceira do Brics por razões comerciais. Ele questiona a permanência no Mercosul e defende acordo trilateral com Chile e Argentina para explorar o lítio. Em entrevistas recentes, chegou a adotar o discurso da “motosserra” para cortar gastos públicos.
Medina, dono de conglomerado que inclui cimento, hotelaria e alimentação, foca a mensagem na recuperação fiscal. O empresário garante que, em 100 dias, reduzirá o déficit superior a 10% do PIB, grande parte gerado por subsídios aos combustíveis.
Esquerda rachada enfraquece MAS
O Movimento ao Socialismo (MAS), no poder desde 2006, enfrenta divisões internas. O ex-presidente Evo Morales, impedido de concorrer, recomenda o voto nulo, enquanto o atual presidente Luis Arce desistiu de buscar a reeleição. Sem apoio unificado, a legenda lançou duas candidaturas: a do ex-ministro Eduardo del Castillo e a de Andrónico Rodríguez, presidente do Senado que deixou o partido para concorrer de forma independente.
Rodríguez, ex-sindicalista cocaleiro, atingiu 11% na última pesquisa, distante da dupla de direita. Já Del Castillo subiu para 8,1%, mas segue descontado pela associação ao governo impopular. Analistas como Alina Ribeiro, do Cebrap, avaliam que o racha à esquerda pode encerrar um ciclo de 19 anos de governos progressistas na Bolívia.

Imagem: Reuters
Precisão das pesquisas é questionada
Especialistas alertam que levantamentos de intenção de voto costumam subestimar o eleitorado rural. Em 2020, sondagens erraram ao projetar apoio insuficiente a Luis Arce. Segundo Ribeiro, os 23% de votos indefinidos podem alterar o quadro atual, sobretudo em regiões de difícil medição estatística.
Para acompanhar a apuração e os bastidores, o eleitor boliviano terá que esperar até o fim do dia. O Tribunal Supremo Eleitoral promete divulgação preliminar ainda na noite de domingo. A expectativa é grande, e a incerteza permanece elevada, conforme detalha reportagem da Reuters.
No fechamento desta edição, a perspectiva dominante continua sendo um segundo turno entre candidatos conservadores, sinalizando possível mudança de eixo político na América do Sul. Entretanto, o peso dos votos em aberto mantém acesa a possibilidade de surpresa.
Para entender como disputas recentes moldaram o cenário atual, leia também a análise sobre volatilidade eleitoral em nossa editoria de Política em goyaz.com.br/politica. Acompanhe nossas atualizações e não perca o desfecho desta eleição decisiva.