Navios dos EUA na costa venezuelana preocupam Amorim

Navios dos EUA na costa venezuelana preocupam Amorim. O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira (20) que recebe “com preocupação” o deslocamento de embarcações militares norte-americanas para a região marítima da Venezuela.
Durante sessão da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, o diplomata ressaltou que a não-intervenção é “princípio basilar” da política externa brasileira e classificou a movimentação dos Estados Unidos como sinal de possível uso de “força total” contra o crime organizado latino-americano.
Navios dos EUA na costa venezuelana preocupam Amorim
Segundo Amorim, o governo de Joe Biden — seguindo diretriz anunciada ainda na administração Trump de combater cartéis de drogas rotulados como “organizações terroristas globais” — coloca em risco a estabilidade regional. “Vejo com preocupação a forma como se aborda o tema. A cooperação, não intervenções unilaterais, deve orientar o combate às ações ilegais”, afirmou.
Questionado sobre as eleições venezuelanas de 2024, o assessor disse que o Brasil aguarda as atas de votação antes de qualquer reconhecimento formal, mantendo “relação de Estado” com Caracas. Ele acrescentou que alguns setores em Washington ainda consideram a América Latina um “quintal estratégico”, postura que o Palácio do Planalto rejeita.
Amorim também criticou tarifas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros, mencionando a dificuldade de diálogo após o cancelamento, sem justificativa, de reunião do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com autoridades norte-americanas. Mesmo assim, defendeu buscar canais de entendimento, preservando a soberania nacional.
Ao comentar o conflito Israel-Palestina, o assessor reiterou o apoio brasileiro ao direito de existência de Israel e a rejeição ao antissemitismo, mas condenou “a eliminação em massa do povo palestino”. A posição ecoa resoluções da Nações Unidas sobre proteção de civis.

Imagem: REUTERS
Para Amorim, qualquer intervenção militar externa na América do Sul pode comprometer esforços multilaterais de segurança. Ele concluiu que Brasília seguirá defendendo a solução pacífica de controvérsias e o fortalecimento de organismos regionais.
Continue acompanhando a cobertura completa de temas geopolíticos na nossa editoria de Política e fique por dentro dos próximos desdobramentos.