Espeleólogo Alexandre Lobo relata 1.000 cavernas exploradas

Espeleólogo Alexandre Lobo relata 1.000 cavernas exploradas: profissional transformou um fascínio infantil em 34 anos de carreira subterrânea que já o levou a mapear, fotografar e mergulhar em mais de mil cavernas espalhadas do Cerrado goiano às profundezas do Vietnã.
Paulista de Mauá radicado em Brasília, Lobo viu a paixão nascer aos seis anos ao folhear o livro “Dentro da Terra”. Aos 20, entrou na Caverna de Santana, no PETAR, e decidiu que a espeleologia seria mais do que um hobby. “A chance de pisar onde ninguém entrou antes é sensacional”, resume.
Espeleólogo Alexandre Lobo relata 1.000 cavernas exploradas
Entre as formações brasileiras que mais o impressionam estão a Gruta do Janelão, em Minas Gerais; a Gruta dos Brejões, na Chapada Diamantina; e as cavernas do Parque Estadual de Terra Ronca, em Goiás, onde rios correm por oito quilômetros de túneis.
Fora do país, Lobo enfrentou desafios como a colossal Hang Son Doong, no Vietnã, e o abismo Gouffre Berger, na França, primeiro a superar 1000 m de profundidade. A lista de desejos inclui Mammoth Cave e Lechuguilla Cave, nos Estados Unidos, além dos cenotes mexicanos e da Malazamanga Cave, em Madagascar.
A fotografia é outro pilar de seu trabalho. Entre prêmios e menções honrosas, destacam-se o registro do Salão Telécio, na Toca da Boa Vista (a maior caverna do Brasil, com 115 km de galerias), e uma imagem noturna na Gruta dos Brejões que captou um rapel sob pórtico de 100 m.
Em Goiás, ele recomenda a Lapa do Angélica, a Lapa de Terra Ronca e, para aventureiros, a Lapa de São Vicente, cujo trajeto leva à Garganta do Diabo, onde uma cachoeira pulsa dentro da rocha.
O espeleólogo alerta que preparo físico e psicológico são indispensáveis. Ele recorda uma equipe que se perdeu antes da era dos smartphones e ficou quase meia hora sem noção de tempo. “A escuridão total exige dominar a mente”, diz.
As explorações também geram contribuições científicas. Espeleotemas ajudam a reconstituir paleoclimas, enquanto ecossistemas isolados revelam espécies únicas. Nos anos 1990, sua equipe encontrou o esqueleto de urso mais completo já registrado no país, na Toca da Barriguda.
Apesar de o Brasil ter legislação avançada, Lobo destaca que mineração e contaminação de aquíferos seguem como ameaças. Com mais de 26 000 cavernas catalogadas e potencial superior a 100 000, a fiscalização ainda é insuficiente.
À frente do projeto Natureza Subterrânea, ele utiliza gêmeos digitais para criar passeios virtuais. O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, digitalizado em março de 2025, foi o primeiro no Brasil a ganhar esse recurso, aproximando o público da ciência e da conservação.
Interessados em iniciar na espeleologia podem buscar grupos listados pela Sociedade Brasileira de Espeleologia, principal referência nacional.
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Foto: Instagram @natureza_subterranea