Cidades

Ex-presidente de sindicato em Rio Verde responde por denúncias de abuso de funcionárias

Justiça inicia oitivas de testemunhas de acusação e defesa em processo sob segredo de justiça

O Poder Judiciário de Rio Verde iniciou a fase de oitivas das testemunhas no processo criminal contra o ex-presidente de um sindicato rural da cidade, acusado de praticar abusos sexuais contra funcionárias da instituição. A audiência de instrução e julgamento busca coletar provas orais para subsidiar a decisão do magistrado responsável pelo caso. O réu, que comandou a entidade representativa durante o período em que os supostos crimes teriam ocorrido, responde por violações da dignidade sexual no ambiente de trabalho.

As denúncias surgiram após relatos de colaboradoras que afirmaram ter sido alvo de comportamentos inadequados e investidas físicas não consentidas por parte do então gestor. Segundo o inquérito policial que deu origem à ação penal, o ex-presidente utilizava-se da sua posição de autoridade hierárquica para intimidar e constranger as subordinadas dentro das dependências do sindicato. A Polícia Civil colheu depoimentos preliminares que apontam para um padrão de conduta repetitivo em relação a diferentes mulheres da equipe.

O caso tramita sob sigilo de justiça para preservar a identidade e a intimidade das vítimas, conforme prevê a legislação brasileira para crimes desta natureza. A defesa do ex-presidente nega as acusações e sustenta que as denúncias carecem de provas materiais robustas, tratando os relatos como tentativas de desestabilização da imagem pública do ex-gestor. No entanto, o Ministério Público de Goiás ofereceu a denúncia com base em elementos coletados durante a fase investigativa, considerando haver indícios suficientes de autoria e materialidade.

A repercussão do processo em Rio Verde mobilizou entidades de defesa dos direitos da mulher e gerou debates sobre a segurança no ambiente laboral. Testemunhas de acusação, incluindo ex-funcionárias e pessoas próximas às vítimas, detalharam episódios que variam de assédio verbal a atos libidinosos. O magistrado responsável pelo caso determinou que todas as garantias constitucionais fossem respeitadas, permitindo o contraditório e a ampla defesa, enquanto avalia o peso dos depoimentos para a formação de sua convicção.

Durante as sessões na comarca, o clima foi de vigilância por parte de representantes jurídicos de ambas as partes. A investigação aponta que os abusos teriam ocorrido em horários de expediente, muitas vezes em salas isoladas da sede administrativa da entidade. Além das provas testemunhais, o processo analisa registros de comunicações e o fluxo de trabalho na época dos fatos. O afastamento do réu da presidência do sindicato ocorreu logo após as primeiras denúncias virem a público, como medida de transparência da instituição.

O desfecho da fase de instrução é aguardado com expectativa por setores da sociedade civil organizada. Caso seja condenado, o ex-presidente poderá cumprir pena de reclusão, além de enfrentar sanções civis e administrativas. A Justiça deve avaliar se houve concurso de crimes, caso fique comprovado que as ações atingiram múltiplas vítimas de forma independente. O encerramento das oitivas precede a fase de alegações finais, etapa em que defesa e acusação fazem as últimas considerações antes da sentença definitiva.

A rede de proteção local tem oferecido suporte psicológico às denunciantes, que relataram dificuldades em manter suas rotinas profissionais após os episódios narrados. O Ministério Público enfatiza que o combate ao assédio e ao abuso sexual em instituições privadas e sindicais é essencial para garantir um mercado de trabalho livre de violência. O tribunal informou que novas audiências podem ser designadas caso surjam fatos novos que exijam esclarecimentos complementares por parte dos peritos ou das autoridades envolvidas na fase de investigação.

Redação GOYAZ

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