
Emprego bate recorde mas IBGE não fala em pleno emprego: o mercado de trabalho brasileiro vive um momento de recuperação notável, com a taxa de desemprego atingindo um dos menores patamares da história recente.
Emprego bate recorde mas IBGE não fala em pleno emprego
No entanto, apesar dos números impressionantes, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mantém uma postura cautelosa e evita usar o termo “pleno emprego”.
A aparente contradição revela as nuances de um mercado que, embora gere postos de trabalho em grande volume, ainda enfrenta desafios estruturais, especialmente no que diz respeito à qualidade das vagas e à informalidade.
Os números que surpreendem
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada para o trimestre encerrado em junho de 2025, a taxa de desemprego caiu para 8,1%.
O número de pessoas ocupadas bateu recordes, chegando a 100,5 milhões de trabalhadores, o maior valor já registrado pela série histórica.
O crescimento no emprego é impulsionado por setores como serviços, comércio e indústria. O aquecimento da economia e o aumento do consumo têm demandado mais mão de obra, gerando um cenário de otimismo.
No entanto, para analistas e técnicos do IBGE, a quantidade de empregos não é o único indicador a ser considerado para a declaração de pleno emprego.
Por que não podemos falar em “pleno emprego”?
A cautela do IBGE se justifica pela análise de outros indicadores que compõem a saúde do mercado de trabalho. O principal deles é a taxa de subutilização da força de trabalho, que engloba não apenas os desempregados, mas também os trabalhadores subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial.
Apesar da queda no desemprego, a taxa de subutilização ainda permanece em um nível elevado, em 18,5%. Esse dado sugere que milhões de trabalhadores estão em empregos de meio período quando desejariam trabalhar em tempo integral, ou estão em busca de uma vaga, mas já desistiram de procurar ativamente. Essa “invisibilidade” na contagem da taxa de desemprego é um dos motivos para a prudência do IBGE.
Outro ponto crucial é a informalidade. Grande parte dos novos empregos criados não oferece carteira de trabalho assinada ou qualquer tipo de proteção social, como férias, 13º salário e previdência. Segundo a pesquisa, a taxa de informalidade se manteve em 38,8%, o que significa que mais de 39 milhões de trabalhadores estão em postos sem registro formal. A informalidade impede o aumento da renda média e o crescimento sustentável das famílias, criando uma vulnerabilidade que é mascarada pela queda na taxa de desemprego.
O desafio de elevar a qualidade do emprego
O cenário atual, portanto, aponta para uma transição na agenda econômica. Se, em anos anteriores, o foco era puramente na criação de empregos para combater o desemprego, hoje o desafio é focado na qualidade do emprego.
Para que o Brasil atinja o pleno emprego de fato, é essencial que a informalidade seja combatida, os salários médios aumentem e a subutilização da força de trabalho seja reduzida.
Embora o cenário seja positivo em termos de volume de empregos, a luta pela dignidade do trabalhador e pela segurança financeira continua. A recuperação do mercado de trabalho é um fato, mas o caminho para o pleno emprego — entendido não apenas como a ausência de desemprego, mas como a garantia de empregos de qualidade — ainda é longo.