Gleisi Hoffmann aponta “gravíssima ofensa” em postagem de vice-secretário dos EUA

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou neste sábado (9) como “gravíssima ofensa” ao Brasil, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à verdade a mensagem publicada nas redes sociais pelo vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau.
Em uma série de publicações, Landau acusou um magistrado brasileiro de “usurpar poder ditatorial” e declarou que a relação bilateral atravessa um momento “sem precedentes e anômalo”. Segundo o diplomata, “sempre é possível negociar com líderes dos poderes Executivo ou Legislativo de um país, mas não com um juiz”. Ele acrescentou que os Estados Unidos se encontram “em um beco sem saída”, porque “o usurpador se reveste do Estado de Direito, enquanto os demais Poderes afirmam estar impotentes para reagir”.
A mensagem, originalmente em inglês, foi traduzida para o português e reproduzida pelo perfil oficial da Embaixada norte-americana em Brasília. A representação diplomática também divulgou trecho no qual Landau afirma que Washington deseja “restaurar a amizade histórica com a grande nação do Brasil”.
Reação do governo brasileiro
Gleisi reagiu de imediato. Para a ministra, a manifestação do vice-secretário tem “tom arrogante” e fere a soberania nacional. “Quem tentou usurpar o poder em nosso país foi Jair Bolsonaro”, afirmou, ao lembrar que o ex-presidente é réu em processo relatado pelo ministro Alexandre de Moraes no STF, acusado de integrar um plano de golpe contra o resultado das eleições de 2022.
A ministra ressaltou ainda que “nenhum poder constitucional brasileiro encontra-se impotente”. Conforme pontuou, Executivo, Legislativo e Judiciário uniram-se para repudiar os ataques de 8 de Janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes, “a chantagem de Donald Trump, o motim bolsonarista pela anistia e as sanções violentas contra o ministro Alexandre de Moraes e outros membros do STF”.
Gleisi concluiu sua resposta dizendo que, se os Estados Unidos realmente pretendem retomar uma relação de parceria, devem “respeitar a soberania do Brasil, de suas leis e de sua Justiça” e interromper o apoio a Bolsonaro, a quem classificou como “golpista que tentou destruir nossa democracia”.
Sanções e tarifas
A troca de acusações ocorre após o governo norte-americano impor sanções financeiras contra Moraes com base na Lei Magnitsky, instrumento que autoriza punições a pessoas acusadas de violar direitos humanos ou de envolvimento em corrupção. Além das sanções individuais, Washington anunciou tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros, medida que também foi justificada pela atuação do ministro do STF em decisões que determinam a remoção de conteúdos nas redes sociais e o bloqueio de perfis.

Imagem: cnnbrasil.com.br
A administração Trump sustenta que o Judiciário brasileiro persegue Bolsonaro e interfere em plataformas digitais dos Estados Unidos. O Palácio do Planalto, por sua vez, afirma que está disposto a negociar questões comerciais, mas rejeita qualquer intervenção externa em processos judiciais internos.
Pressão no Senado
Enquanto o Itamaraty tenta conter a crise diplomática, senadores da oposição pressionam para que o presidente da Casa coloque em pauta um pedido de impeachment contra Moraes. O governo argumenta que essa discussão é assunto do Congresso e reitera que não aceitará condicionamentos políticos de parceiros estrangeiros para manter diálogo econômico.
Nos bastidores, auxiliares do presidente avaliam que a mensagem de Landau amplia tensões num momento em que Brasília buscava flexibilizar as novas tarifas norte-americanas. Apesar das críticas, diplomatas brasileiros afirmam que seguirão em contato com o Departamento de Estado para evitar prejuízos a exportadores e preservar canais de cooperação.
No plano interno, o Palácio do Planalto considera a manifestação de Gleisi suficiente como resposta oficial, ao menos por ora. Qualquer outro posicionamento, segundo assessores presidenciais, dependerá dos desdobramentos das tratativas diplomáticas e de eventuais novos atos do governo dos Estados Unidos.
Com informações de CNN Brasil