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Governo quer vender a Saneago para pagar dívidas, alerta Marconi

Para ex-governador, comercialização da estatal é erro estratégico que pune o futuro

O debate sobre a possível privatização da Saneago voltou a ganhar força no cenário político goiano. A companhia, responsável pelo saneamento básico no estado, tornou-se o centro de uma discussão que envolve eficiência operacional, lucros recordes e a saúde financeira das contas públicas estaduais.

Enquanto setores do governo atual avaliam a venda como uma alternativa de caixa, vozes experientes da política local se posicionam de forma contrária, defendendo a manutenção da estatal sob controle público.

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) é um dos críticos mais enfáticos de qualquer tentativa de repasse da empresa à iniciativa privada. Segundo ele, a Saneago é uma empresa sólida e lucrativa, fruto de décadas de investimentos estruturados.

“Em primeiro lugar, você não privatiza uma empresa que dá lucro, uma empresa que foi estruturada ao longo do tempo por vários governadores”, afirmou Perillo, destacando a trajetória de crescimento da companhia.

Para Marconi, a infraestrutura atual da Saneago é resultado de um esforço contínuo de gestão. Ele ressalta sua contribuição direta na modernização do sistema de tratamento de esgoto, especialmente na capital e em cidades do interior.

“Eu, por exemplo, construí 88 das 100 estações de tratamento de esgoto, inclusive a de Goiânia, que é uma das mais importantes do Brasil”, pontuou, lembrando que o projeto foi fundamental para a despoluição de rios importantes.

A evolução do saneamento em Goiânia é frequentemente citada como um marco. Marconi recorda que a capital enfrentou décadas de carência antes da consolidação de um sistema eficiente de tratamento.

“Goiânia precisou ter 70 anos para ter o seu esgoto tratado. O esgoto era jogado nos rios Meia Ponte, nos ribeirões Anicuns, Botafogo, Capim Puba, Macambira”, detalhou, reforçando a importância ambiental das obras realizadas.

Além da infraestrutura física, a saúde financeira da estatal no momento da transição de governos também foi destacada. Marconi afirma que a companhia foi entregue com recursos substanciais destinados a novos projetos.

“Fizemos investimentos vultosos na Saneago ao longo do tempo. Deixamos mais de 1 bilhão de reais em caixa de financiamentos para a Saneago investir”, ressaltou o político, defendendo a continuidade dos planos de expansão.

A qualidade do corpo técnico da Saneago é outro ponto levantado na defesa da estatal. Para Marconi, a empresa figura entre as melhores do país não apenas pela infraestrutura, mas pela competência de seus colaboradores.

“A Saneago hoje é uma das boas companhias do Brasil por causa do trabalho de longo prazo e por conta de um quadro qualificadíssimo de servidores públicos. A Saneago, portanto, não precisa ser privatizada”, reiterou.

A motivação por trás da proposta de venda, na visão do ex-governador, não seria técnica, mas sim uma tentativa de sanar problemas fiscais do estado.

Ele argumenta que o governo estaria buscando liquidez imediata para cobrir lacunas orçamentárias. “O governo precisa, mais do que nunca, mais do que água para viver, de dinheiro, porque o estado quebrou. Essa é a verdade”, disparou, criticando a gestão atual das finanças goianas.

Por fim, Marconi alerta que a venda de um patrimônio estratégico como a Saneago pode ter como objetivo principal o equilíbrio das contas a curto prazo, transferindo o ônus para as gestões futuras.

“A venda da Saneago tem um objetivo: fazer caixa para tentar cobrir o rombo que vai ficar para o próximo governo, que vai entrar no começo do ano que vem”, concluiu, mantendo o tom crítico sobre o destino da companhia de saneamento.

Thales Bruno

Thales Bruno é jornalista com atuação em gestão de Órgãos Públicos e acontecimentos em Anápolis (GO)
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