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Haddad quer canal direto com EUA para rastrear fuzis

Haddad quer canal direto com EUA para rastrear fuzis — o ministro da Fazenda afirmou nesta quinta-feira (4) que aguarda uma proposta formal de Washington para monitorar o envio de componentes de armamento ao Brasil e fechar brechas usadas pelo crime organizado.

Em reunião com o embaixador interino Gabriel Escobar, o ministro detalhou como peças de fuzis despachadas dos Estados Unidos chegam às mãos de facções brasileiras sem passar por escaneamento obrigatório em portos de origem e destino. A ideia é criar um fluxo de comunicação que permita a identificação imediata de quem exporta, quando e para quem.

Haddad quer canal direto com EUA para rastrear fuzis

Segundo Haddad, Escobar demonstrou “forte disposição” em acelerar a cooperação e prometeu resposta breve ao ofício encaminhado após conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O pedido brasileiro prevê que, assim que um contêiner suspeito desembarcar, autoridades norte-americanas recebam alerta para rastrear a carga e eventuais cúmplices nos portos de embarque.

O ministro lembrou que 55 fundos de investimento são investigados na Operação Poço de Lobato — 40 no Brasil e 15 no exterior — por suposto financiamento às quadrilhas. Entre os alvos aparece o grupo Refit, antigo proprietário da refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. As apurações mostram envio de recursos a vários países para ocultar patrimônio e driblar o Fisco.

Haddad disse ter compartilhado relatórios da Polícia Federal, Receita Federal, Coaf e Ministérios Públicos estaduais com Escobar. A documentação será remetida formalmente aos EUA para evitar contestações judiciais e ampliar o combate à lavagem de dinheiro.

De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, iniciativas semelhantes vigentes na fronteira com o México combinam inteligência aduaneira e financeira. Haddad sustenta, porém, que o contexto brasileiro exige ajustes próprios, como maior rigor no escaneamento de contêineres e fiscalização de fundos offshore.

O ministro concluiu que acordos internacionais atuais abrem brechas exploradas por organizações criminosas e ressaltou a importância de fechar “o ralo por onde entram armas e dinheiro sujo”. Escobar deixou o Ministério da Fazenda sem falar à imprensa.

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Crédito da imagem: Lula Marques/ Agência Braasil.

Redação GOYAZ

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