Herança milionária no Flamengo motiva disputa judicial

Herança milionária no Flamengo motiva disputa judicial: episódio envolvendo um apartamento avaliado em R$ 2 milhões opõe, na Justiça, o sobrinho de um casal de escaladores de 89 anos a duas ex-cuidadoras dos idosos.
Tadeusz Edmund Hollup, contador polonês, e Cionyra Ceres de Araújo Hollup, secretária aposentada da Petrobras, viveram 66 anos juntos e não tiveram filhos. Após a morte dele, em agosto de 2018, e dela, em maio de 2019, vieram à tona dois testamentos e acusações que agora travam o inventário.
Herança milionária no Flamengo motiva disputa judicial
O primeiro testamento, lavrado em 31 de julho de 2007, destinava todo o patrimônio a Vitor Hollup, 67 anos, único sobrinho do casal. Já o segundo documento, datado de 5 de dezembro de 2018, cinco meses antes da morte de Cionyra, reparte a parte dela entre as cuidadoras Maria de Lourdes Barbosa Soares (60%) e Gilcilene Souza Martins (40%).
Vitor, hoje inventariante da metade pertencente ao tio, sustenta que a tia apresentava demência avançada quando assinou o novo testamento. Ele anexou boletim médico do Hospital Copa D’Or, onde a idosa fora internada em março de 2019, apontando hipertensão, diabetes, insuficiência renal e comprometimento cognitivo.
O Ministério Público do Rio de Janeiro requereu perícia indireta para avaliar a lucidez de Cionyra em 2018. Um perito foi nomeado, mas se declarou inapto; aguarda-se a indicação de outro especialista. Enquanto isso, permanece válido o testamento que favorece as cuidadoras.
Além do apartamento na Avenida Oswaldo Cruz, a 12ª Vara de Órfãos e Sucessões autorizou buscas por um carro importado fabricado entre 1996 e 2000, possivelmente na garagem do prédio, e por eventuais aplicações financeiras dos falecidos.
Gilcilene mora no imóvel desde 2019 e admite dívida de condomínio e IPTU superior a R$ 132 mil. Já o advogado de Vitor pediu liminar para desocupação, alegando risco de depreciação do bem.
Paralelamente, o MP abriu inquérito na 1ª Central de Inquéritos para apurar se houve responsabilidade das cuidadoras pelo rápido declínio da saúde da secretária. Normas sobre a elaboração de testamentos por idosos, segundo o Conselho Nacional de Justiça, não exigem atestado de sanidade mental, mas desde 2021 escrituras de partes com mais de 80 anos devem ser gravadas em vídeo.
Enquanto o litígio prossegue, o apartamento permanece ocupado e as dívidas crescem. A definição sobre quem herdará os 50% pertencentes a Cionyra depende do desfecho da perícia e da análise da validade do segundo testamento.
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Foto: Domingos Peixoto