Política

Senado em aberto: indefinição de chapas vira marca da pré-campanha

Partidos seguram nomes enquanto recalculam palanques

Senado em aberto: indefinição de chapas vira marca da pré-campanha em Goiás: o cenário político-eleitoral em Goiás para a disputa ao Senado segue indefinido entre os principais pré-candidatos ao governo — um movimento considerado atípico a apenas 7 meses e 19 dias das eleições gerais no Brasil.

Nos bastidores, lideranças admitem que a indefinição decorre menos de falta de nomes e mais de uma cadeia de decisões cruzadas que dependem de candidaturas majoritárias nacionais e da consolidação — ou não — de alianças estaduais.

Senado em aberto: indefinição de chapas vira marca da pré-campanha em Goiás

A sete meses da eleição, alianças travam e decisões dependem do cenário nacional. Articulações definem nomes que comporão as chapas. (Ilustração/GOYAZ)

No campo governista, o MDB do vice-governador Daniel Vilela contava como praticamente certo o apoio do PL do senador Wilder Morais. A sinalização pública de Wilder de que recebeu aval para disputar o governo recalibrou toda a engenharia prevista.

Antes, o desenho articulado incluía o deputado federal Gustavo Gayer na segunda vaga ao Senado, compondo com a primeira-dama Gracinha Caiado na chapa majoritária governista.

Reservadamente, interlocutores admitem que o plano era fechar a equação com o voto conservador unificado. Com a movimentação de Wilder, a base precisa redesenhar o tabuleiro e administrar o risco de dispersão desse eleitorado.

Outro fator que trava decisões é a espera do MDB pela definição do nome do PSD à Presidência da República, sob comando de Gilberto Kassab. A sigla mantém três nomes no radar:

Ronaldo Caiado
Ratinho Jr.
Eduardo Leite

A expectativa é que haja definição até o início de abril, prazo de descompatibilização. Caso não haja consenso, a decisão pode ser empurrada para as convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto — período legal para formalização das candidaturas.

Nos bastidores, aliados reconhecem que Caiado tenta publicamente minimizar o impacto de uma eventual não escolha de seu nome para o Planalto, mas teria de recalcular a rota política iniciada ainda em abril de 2025, quando lançou seu projeto nacional ao lado de ACM Neto e do senador Sergio Moro.

Nesse cenário alternativo, a estratégia passa por:

• Caiado disputar o Senado na chapa de Daniel
• Gracinha Caiado concorrer à Câmara dos Deputados
• Reelição de Vanderlan Cardoso (PSD) para concentrar capital político exclusivamente em Goiás

Analistas ouvidos reservadamente avaliam que, para Daniel, manter Caiado no palanque estadual durante toda a campanha é mais vantajoso do que liberá-lo para agenda nacional.

O governador sustenta índices de aprovação entre 80% e 88%, conforme diferentes institutos — ativo considerado decisivo para transferência de votos.

Com a possível saída do PL da base, cresce o protagonismo do senador Vanderlan Cardoso (PSD) como alternativa para compor a segunda vaga ao Senado, seja ao lado de Gracinha ou do próprio Caiado. Tanto MDB quanto PSD descartam, neste momento, candidaturas isoladas à Casa Alta.

No campo tucano, o PSDB do ex-governador Marconi Perillo ainda não fechou composição senatorial. O deputado federal Zacharias Calil intensificou conversas para migrar de vez ao bloco marconista e disputar uma das vagas. Dirigentes tucanos também trabalham duas frentes paralelas:

  • Jalles Fontoura (PSDB): ex-prefeito de Goianésia e ex-deputado federal, é tratado nos bastidores como o nome mais natural da sigla. Tem perfil técnico, trânsito no setor produtivo e boa aceitação entre lideranças regionais.
  • Helio de Sousa (PSDB): ex-presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, é visto como liderança regional consolidada e respeitada internamente para composições majoritárias, com recall político e boa interlocução partidária.
  • Leda Borges (PSDB): deputada federal e ex-secretária de Estado, mantém base eleitoral consistente no Entorno do Distrito Federal, área considerada estratégica para o desempenho de uma candidatura tucana ao Senado.
  • Aproximação com empresários ligados à Adial para um nome de perfil liberal-econômico.
  • Articulação com a Associação Goiana de Ex-Prefeitos em busca de um candidato com forte capilaridade no interior.

A avaliação interna é que a chapa ao Senado precisa equilibrar densidade eleitoral e capacidade de autofinanciamento.

Na esquerda, o Partido dos Trabalhadores ainda não formalizou nomes para a majoritária, mas a lista de possibilidades é ampla. A deputada federal Adriana Accorsi sinaliza prioridade na reeleição, embora seja considerada peça-chave de articulação. Nos bastidores, circulam como alternativas ao Senado:

Rubens Otoni
Edward Madureira
Kátia Maria
Luis Cesar Bueno
Antônio Gomide

Também são citados:

Fabrício Rosa
Marina Sant’Anna
Valério Luiz
• Nomes do PV e do PCdoB dentro da federação

A estratégia petista pode envolver composição federativa para garantir unidade e ampliar tempo de TV. Já no PL, caso a candidatura de Wilder ao governo seja oficializada, o partido trabalha um leque de opções ao Senado:

• Gustavo Gayer
Major Victor Hugo
Fred Rodrigues
• lideranças do agronegócio convidadas para vagas principais ou suplências

Dirigentes liberais afirmam que a prioridade é montar uma chapa “ideologicamente coerente e eleitoralmente competitiva”. Em privado, admitem que a definição dependerá do desempenho inicial de cada nome em pesquisas internas.

Com múltiplos movimentos simultâneos e dependência de decisões nacionais, o quadro goiano para o Senado segue aberto — e, segundo estrategistas, pode permanecer assim até a janela final das convenções.

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Redação GOYAZ

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