Houthis se preparam para apoiar o Irã e ameaçar rotas marítimas
Fonte iraniana afirma que o grupo iemenita poderia assumir o Estreito de Bab el-Mandeb, comprometendo o tráfego comercial e provocando respostas navais coordenadas

Uma fonte ligada ao governo iraniano afirmou que os Houthis do Iêmen estariam prontos para ampliar ações e prestar apoio a operações alinhadas com o Irã contra Estados Unidos e Israel. O relato foi divulgado por agência estatal e cita uma fonte informada que descreveu como provável a expansão das capacidades do grupo no Mar Vermelho e no Golfo de Áden.
Segundo a mesma fonte, os Houthis consideram factível assumir o controle do Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e às rotas internacionais. Especialistas consultados por agências regionais alertam que a ocupação efetiva dessa rota poderia restringir alternativas de navegação e aumentar custos e tempo do transporte entre Europa, Ásia e mercados do Oriente Médio.
Desde outubro de 2023 o grupo intensificou ataques no Mar Vermelho com disparos e interferência a embarcações, atribuindo as ações à retaliação contra ataques a Gaza por parte de Israel. Relatos de autoridades navais indicam que centenas de incidentes foram registrados e que embarcações comerciais e militares sofreram ameaças diretas e danos que afetaram rotas e operações logísticas.
Além de alvos ligados a Israel, operações dos Houthis atingiram embarcações com vínculos a Estados Unidos e Reino Unido, segundo comunicados oficiais e relatos regionais. Forças navais ocidentais intensificaram escoltas e patrulhas na região, mas comandantes admitem que uma eventual perda de controle sobre o estreito reduziria opções seguras e elevaria os riscos para o comércio.
O Estreito de Bab el-Mandeb situa-se entre a península arábica e o nordeste africano e é ponto de passagem obrigatório para navios que seguem do Mediterrâneo aos oceanos Índico e Atlântico. Bloqueios ou restrições prolongadas podem forçar desvios por rotas mais longas, aumentar prazos e custos de transporte e provocar impactos na cadeia de suprimentos global e nos preços de commodities.
Governo dos Estados Unidos e aliados europeus têm mantido consultas diplomáticas com parceiros regionais para coordenar respostas e medidas de segurança naval enquanto analisam riscos de escalada militar. Analistas ressaltam que o envolvimento direto de milícias regionais a favor de um Estado estrangeiro pode expandir o conflito e exigir soluções políticas e logísticas que ultrapassam respostas meramente militares.