
Tenente-coronel condenado por tentativa de golpe se entrega em Goiânia: o tenente-coronel do Exército Guilherme Marques Almeida apresentou-se à sede da Polícia Federal em Goiânia na tarde desta segunda-feira, 29 de dezembro. O militar, que estava na Bahia, comunicou previamente às autoridades sua intenção de se entregar para iniciar o cumprimento de medida cautelar.
A decisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a prisão domiciliar do oficial. A medida foi estendida a outros investigados como precaução, após a tentativa de fuga do ex-diretor da PRF, Silvinei Vasques, localizado recentemente no Paraguai.
Tenente-coronel condenado por tentativa de golpe se entrega em Goiânia
Além do recolhimento domiciliar na capital goiana, Guilherme Marques Almeida deverá utilizar tornozeleira eletrônica ininterruptamente. O ministro também impôs a proibição total de acesso a redes sociais e de qualquer contato com os demais investigados no processo que apura a tentativa de golpe de Estado.
O oficial possui um histórico militar relevante em Goiás, onde já atuou como comandante do 1º Batalhão de Operações Psicológicas. Sua trajetória também inclui experiência internacional como instrutor no Exército Peruano entre 2020 e 2022, conforme registros públicos do Diário Oficial da União.
As investigações da Polícia Federal apontam que o tenente-coronel integrava o núcleo responsável pela disseminação de desinformação e ataques coordenados ao sistema eleitoral brasileiro. Provas obtidas em dispositivos eletrônicos revelaram áudios onde o militar defendia abertamente ações fora da legalidade constitucional.
Em uma das gravações apreendidas, Almeida afirmava que seria necessário sair das quatro linhas para evitar o domínio de grupos adversários após o pleito de 2022. Ele criticava a postura contida das Forças Armadas e sugeria que o então ministro da Defesa deveria assumir um posicionamento público mais incisivo contra o resultado das urnas.
Conhecido por ter desmaiado durante a deflagração da Operação Tempus Veritatis em 2024, o militar foi condenado a 13 anos e 6 meses de reclusão. No organograma da trama golpista detalhado pelo Exército Brasileiro, ele foi identificado como peça-chave do chamado núcleo 4, focado em operações psicológicas e influência digital.
A defesa do militar ainda dispõe de recursos judiciais, motivo pelo qual a execução da pena ocorre, neste momento, sob o regime de medidas cautelares rigorosas. A Polícia Federal seguirá monitorando o cumprimento das obrigações impostas pela corte superior para garantir a ordem do processo.
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