Iraque negocia com Irã passagem de petroleiros e reabre oleoduto para exportar petróleo
Bagdá informou na terça-feira (17) que discute com Teerã autorização para a travessia de navios enquanto trabalha na restauração do oleoduto Kirkuk Ceyhan conforme detalhou o ministro em vídeo na segunda-feira (16).

O ministro do Petróleo do Iraque informou que Bagdá negocia com autoridades iranianas a possibilidade de autorizar a passagem de alguns petroleiros iraquianos pelo Estreito de Ormuz na terça-feira (17). A iniciativa visa reduzir o impacto nas exportações de petróleo bruto após ataques recentes a navios nas águas territoriais iraquianas e depende de acordos técnicos e de segurança entre os dois governos.
Ao mesmo tempo o governo federal trabalha na restauração do oleoduto que ligava Kirkuk ao porto de Ceyhan na Turquia com vistas a oferecer uma rota alternativa de escoamento energético. O ministro Hayan Abdel Gani afirmou em vídeo divulgado na segunda-feira (16) que a inspeção de um trecho de 100 km será concluída em cerca de uma semana para viabilizar exportações diretas.
A reabertura do trecho interrompido desde 2014 permitiria o bombeamento direto de petróleo de campos de Kirkuk sem depender da travessia pelo Estreito de Ormuz e reduziria riscos operacionais. Antes do fechamento o oleoduto de 960 km transportava cerca de 0,5 por cento da oferta global e sua reativação poderia aliviar pontos de estrangulamento no fluxo internacional de combustíveis.
O Ministério do Petróleo estimou que as exportações pelo oleoduto poderiam começar em cerca de 250 mil barris por dia e subir para aproximadamente 450 mil barris caso sejam incluídos os campos curdos. A movimentação depende de avaliações técnicas reparos de infraestrutura e de resolução de disputas políticas entre Bagdá e o Governo Regional do Curdistão sobre condições de uso da infraestrutura.
Bagdá já tentou utilizar o oleoduto do Curdistão como alternativa temporária e acusou o governo regional de impor condições que considera arbitrárias o que levou a ameaças de medidas legais. As autoridades curdas negam obstrução e afirmam que questões de segurança e desempenho econômico do setor petrolífero regional persistem sem resolução por parte do governo federal desde o início das negociações.