Juiz isenta filha de farmacêutico morto de testemunhar contra o ex-genro acusado em Goiânia

Juiz isenta filha de farmacêutico morto de testemunhar contra o ex-genro acusado em Goiânia: o drama em torno do julgamento de Felipe Gabriel Jardim, acusado de assassinar o ex-sogro, o farmacêutico João do Rosário Leão, ganhou um novo capítulo na última sexta-feira (17) com uma decisão judicial que trouxe alívio à família da vítima.
O juiz Antônio Fernandes de Oliveira, da Vara Criminal dos Crimes Dolosos contra a Vida e Tribunal do Júri, atendeu a um pedido da defesa do réu e decidiu que Kennia Yanka Leão, 29 anos, filha da vítima e ex-namorada do acusado, não será obrigada a depor como testemunha.
Juiz isenta filha de farmacêutico morto de testemunhar contra o ex-genro acusado em Goiânia
A decisão do magistrado baseia-se no Artigo 206 do Código de Processo Penal (CPP), que permite que parentes próximos do acusado se recusem a prestar depoimento. O juiz entendeu que, apesar de ex-namorados, a relação de Kennia com Felipe, e sua condição de descendente da vítima, a coloca em uma situação de amparo legal.
Entre os questionamentos, Kennia foi perguntada se sabia quais bens herdaria com a morte do pai, se era usuária de drogas e se havia conhecido Felipe em um motel.
O advogado Emanuel Rodrigues, assistente de acusação e representante da família, protestou veementemente contra o teor dos questionamentos, que, em sua visão, buscavam desestabilizar a filha da vítima.
“Se não fosse a forma como os trabalhos foram conduzidos, o júri jamais teria tido o fim que teve no dia 15 de outubro, com uma jurada passando mal. O que a família do João quer não é favorecimento por parte de ninguém, é isenção na condução dos trabalhos,” afirmou o advogado, sugerindo que a tensão colaborou para o mal-estar da jurada.
Além de dispensar Kennia de depor, o juiz Antônio Fernandes remarcou o tribunal do júri para o dia 19 de janeiro de 2026.
A família recebeu a nova data com “alegria e alívio”. Emanuel Rodrigues reiterou a esperança de que o próximo julgamento transcorra sem táticas que busquem constranger a filha da vítima.
“Eles esperam que as tentativas da defesa do réu de constranger Kennia Yanka, como aconteceu no dia 15, sejam firmemente e peremptoriamente coibidas pelo magistrado condutor dos trabalhos. Que essa tática espúria não seja permitida no dia do julgamento e que o único responsável pela morte de João Leão seja julgado no dia 19 de janeiro,” complementou Rodrigues.
Kennia, por sua vez, aliviada pela rapidez na remarcação, disse: “eu me sinto aliviada por já ter uma data, porque achei que a gente ia ficar angustiada esperando… Mas acabou sendo rápido e agora é aguardar esses três meses para que chegue o dia.”
O assassinato do farmacêutico João do Rosário Leão, de 62 anos, chocou Goiânia em junho de 2022. Os autos do processo indicam que o crime foi motivado por inconformismo após o término do relacionamento entre Felipe Gabriel Jardim e Kennia Yanka. Após uma discussão, Kennia encerrou o namoro. Ao descobrir que o ex-sogro havia registrado um boletim de ocorrência contra ele, Felipe teria prometido matar João. A promessa foi cumprida pouco tempo depois, quando Felipe invadiu a farmácia da vítima, no setor Bueno, e disparou contra a cabeça do farmacêutico, que não resistiu aos ferimentos.
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