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Kassab articula entorno de Ratinho Jr. e isola projeto presidencial de Caiado

Movimentos internos indicam que direção do PSD busca nome com maior convergência política nacional

A indefinição sobre a estratégia eleitoral do PSD para a disputa presidencial segue cercada de disputas internas e diferentes correntes dentro do partido. Embora o nome do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, apareça entre os citados em cenários eleitorais, lideranças da legenda admitem nos bastidores que o protagonismo do debate tem se concentrado em torno de outras alternativas consideradas mais alinhadas à direção nacional.

Dirigentes próximos ao presidente do partido, Gilberto Kassab, avaliam que o governador do Paraná, Ratinho Jr., reúne condições políticas mais favoráveis para representar o campo partidário em uma eventual disputa nacional. A leitura predominante dentro do núcleo dirigente é de que Ratinho Jr. mantém maior sintonia com a estratégia política defendida pela direção da legenda e possui perfil considerado mais convergente com o projeto partidário.

A executiva do PSD iniciou análise sobre o registro de candidatura para a Presidência e estabeleceu um cronograma de decisão registrado nesta segunda-feira (9). A direção pretende concluir a definição até terça-feira (31) para permitir a organização de chapas estaduais e o alinhamento ao calendário eleitoral. Mesmo assim, integrantes da legenda admitem que o processo tem sido marcado por disputas internas e avaliações divergentes sobre qual nome teria maior viabilidade eleitoral.

Nos bastidores, interlocutores da direção nacional afirmam que o nome de Caiado enfrenta resistência em setores do partido. A avaliação de parte das lideranças é de que o governador goiano possui perfil político mais associado a uma agenda regional e a uma base eleitoral concentrada, fator que dificultaria ampliar alcance nacional em uma eventual campanha presidencial.

Outro elemento que pesa contra uma candidatura presidencial de Caiado, segundo integrantes da legenda, é a possibilidade de que o governador opte por disputar uma vaga no Senado por Goiás. A alternativa tem sido tratada por aliados como um caminho politicamente mais seguro, sobretudo diante das incertezas que cercam a formação de uma candidatura competitiva ao Planalto.

Dentro da cúpula partidária, a avaliação é de que Ratinho Jr. apresenta condições mais favoráveis para liderar uma articulação nacional. Além de ocupar posição destacada em pesquisas de intenção de voto, o governador do Paraná mantém interlocução frequente com dirigentes da legenda e com lideranças regionais, fator considerado relevante para a construção de uma base política ampla.

A legislação eleitoral impõe prazos rígidos para ocupantes de cargos no Executivo que desejam disputar outras funções. O limite legal para desincompatibilização ocorre na quarta-feira (1), regra que pressiona governadores interessados em novas disputas. No caso de Caiado, interlocutores admitem que a decisão envolve cálculo político complexo entre permanecer no governo ou buscar outro cargo.

Pesquisas de intenção de voto utilizadas nas discussões internas do PSD colocam Ratinho Jr. em posição mais confortável entre os nomes analisados pela legenda. Caiado e Eduardo Leite aparecem em posições posteriores nas sondagens, números que têm sido utilizados por dirigentes para sustentar a defesa de alternativas consideradas mais competitivas.

A direção nacional analisa diferentes cenários para a disputa de 2026. Um deles envolve lançar candidatura própria à Presidência, enquanto outro considera apoiar nomes de outras legendas em troca de participação em alianças regionais e espaço político em chapas estaduais.

Alguns setores do partido defendem que a sigla priorize nomes capazes de dialogar com o eleitorado de centro e ampliar alianças. Nesse contexto, dirigentes avaliam que Ratinho Jr. possui perfil político mais adaptado a esse tipo de articulação, enquanto outras candidaturas enfrentariam maior resistência fora de suas bases regionais.

Outra variável considerada nas discussões internas é a possibilidade de que lideranças com projeção nacional disputem cargos legislativos. Essa estratégia permitiria ao partido ampliar presença no Congresso e consolidar força política em futuras negociações.

O calendário eleitoral exige sincronização entre planejamento de candidaturas ao Legislativo e prazos definidos pela Justiça Eleitoral. A antecipação das decisões permite encaminhar acordos regionais e organizar chapas com maior previsibilidade.

Comitês partidários foram mobilizados para avaliar impactos financeiros e operacionais das diferentes estratégias eleitorais. Esses grupos analisam projeções de campanha, necessidades logísticas e distribuição de recursos em estados considerados estratégicos.

A convenção nacional do partido será responsável por formalizar qualquer decisão sobre candidatura própria à Presidência. O processo seguirá regras previstas no estatuto da legenda e incluirá votação interna entre dirigentes e representantes regionais.

Entre integrantes da cúpula partidária, a expectativa é de que uma definição seja anunciada dentro do prazo estabelecido para reduzir incertezas e permitir a organização das campanhas estaduais. Até lá, o PSD continuará monitorando pesquisas eleitorais e o posicionamento de lideranças nacionais, enquanto cresce dentro da legenda a avaliação de que Ratinho Jr. reúne hoje maior convergência política com o projeto defendido pela direção comandada por Gilberto Kassab.

Redação GOYAZ

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