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Legislativo de Goiânia em rota de colisão com o Executivo

A CEI da Comurg se tornou um teste de força política. A oposição pressiona para investigar a empresa, enquanto o prefeito Sandro Mabel (União Brasil) resiste, temendo que a comissão prejudique os serviços essenciais

Legislativo de Goiânia em rota de colisão com o Executivo: O segundo semestre de 2025 na Câmara Municipal de Goiânia deve ser marcado por debates acalorados, com a base governista e a oposição se preparando para embates sobre pautas cruciais para a cidade. O prefeito Sandro Mabel (UB), em seus primeiros meses de mandato, tem um pacote de projetos-chave a ser votado, e o posicionamento dos vereadores, especialmente os de oposição, será fundamental para a aprovação ou rejeição das propostas.

Legislativo de Goiânia em rota de colisão com o Executivo

A pauta da negociação do piso dos professores já foi discutida no primeiro semestre de 2025 e, de fato, se tornou um tema central. No entanto, a forma como o reajuste foi implementado gerou insatisfação e promete continuar sendo um ponto de debate no segundo semestre.

A negociação no primeiro semestre

O Piso Nacional do Magistério para 2025 foi fixado em R$ 4.867,77. Mabel, logo no início de sua gestão, encaminhou um projeto de lei para a Câmara Municipal que atualizou os vencimentos dos professores de acordo com esse valor. A Lei Complementar nº 11.443 foi sancionada em julho de 2025 e estabeleceu um reajuste escalonado.

De acordo com a lei, o reajuste foi dividido em duas partes:

  • A primeira parcela, de 3,00%, foi paga a partir de 1º de junho de 2025.
  • A segunda parcela, de 3,27%, será paga a partir de 1º de setembro de 2025.

Além disso, a lei também reajustou, nos mesmos percentuais e prazos, os benefícios como a Gratificação de Regência de Classe e o Auxílio Locomoção.

Por que a pauta continua polêmica?

Apesar da aprovação, o acordo não agradou totalmente a categoria e a oposição. A principal crítica é o pagamento escalonado e a forma como o retroativo será tratado. Enquanto o reajuste do piso é uma obrigação legal, a forma de implementá-lo e as negociações que o cercam sempre geram polêmica, especialmente em um ano de gestão recém-iniciada.

A oposição e os sindicatos, como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), argumentam que o pagamento escalonado dilui o impacto financeiro para a prefeitura, mas prejudica o poder de compra imediato dos professores. Eles defendem a implementação integral e retroativa desde janeiro, quando o novo piso foi anunciado.

O tema do reajuste da data-base para os demais servidores municipais também está em discussão, e a forma como a prefeitura lidou com os professores servirá de termômetro para as demais categorias.

Ameaça de CEI da Comurg Paira sobre a Câmara de Goiânia

Em meio às discussões sobre os projetos do Executivo, a possível criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) emerge como um dos temas mais delicados e explosivos do segundo semestre de 2025. A pressão da oposição para apurar supostas irregularidades e a resistência de Mabel em permitir a investigação transformam a pauta em um verdadeiro teste de força política.

Por que a Comurg está no centro da polêmica?

A Comurg, empresa de economia mista responsável pela limpeza urbana, coleta de lixo e manutenção de áreas verdes na capital, tem sido alvo de críticas constantes devido a uma série de problemas, como a alegada má qualidade dos serviços prestados, a alta endividamento e denúncias de contratos suspeitos.

A oposição, encabeçada por vereadores da oposição e com o deputado petista Mauro Rubem, utiliza o histórico de problemas da companhia como plataforma para pedir a abertura da CEI.

Os vereadores da oposição argumentam que uma investigação aprofundada é necessária para “abrir a caixa-preta” da Comurg, apurar denúncias e garantir mais transparência na gestão dos recursos públicos. A proposta de CEI é vista como uma forma de fiscalizar de perto a maior empresa de Goiânia e de expor as falhas de gestão que, segundo eles, prejudicam a cidade.

A resistência de Mabel

Mabel e sua base de apoio na Câmara se opõem veementemente à criação da CEI. Os motivos para essa resistência são tanto políticos quanto técnicos. O principal argumento da gestão é que a instauração da comissão pode paralisar a administração da companhia e dificultar os esforços para reestruturar e sanear a Comurg.

Em falas públicas, o prefeito tem defendido que a prioridade de sua gestão é “arrumar a casa” da empresa, tornando-a mais eficiente e menos dependente de repasses da prefeitura. Ele argumenta que uma CEI criaria um ambiente de instabilidade, afetando contratos, a moral dos servidores e a própria capacidade da Comurg de prestar seus serviços essenciais. Mabel prefere resolver os problemas “internamente”, com auditorias e mudanças administrativas, ao invés de expor a empresa a um longo e desgastante processo investigativo público.

Movimentação na Câmara: Oposicionistas e governistas em lados opostos

A briga pela criação da CEI já movimenta os bastidores da Câmara Municipal. A oposição trabalha para coletar as assinaturas necessárias para a instalação da comissão. Para isso, os vereadores têm se articulado, buscando o apoio de parlamentares de bancadas independentes ou insatisfeitos com a base governista.

Já a base aliada, com o aval do Paço Municipal, atua para barrar a iniciativa. A estratégia inclui não apenas a recusa em assinar o requerimento, mas também a tentativa de convencer parlamentares a retirarem seus nomes caso já tenham assinado. A disputa pelas assinaturas se torna um termômetro da força política do prefeito no Legislativo.

A relevância da CEI da Comurg transcende a pauta administrativa. Ela representa um dos principais pontos de atrito entre o Executivo e o Legislativo, com a oposição buscando uma plataforma para fiscalizar e pressionar, e a prefeitura tentando proteger uma empresa crucial para a cidade, mas que é há tempos fonte de problemas. A eventual instalação da comissão pode definir o tom da relação política na cidade pelos próximos meses e até mesmo impactar a eleição de 2026.

O que esperar para o segundo semestre

Além de um eventual CEI da Comurg, a pauta do piso dos professores provavelmente deve continuar em evidência na Câmara. Os vereadores de oposição, em busca de visibilidade e para marcar posição, podem intensificar a pressão sobre a prefeitura, cobrando o cumprimento integral do piso e um calendário mais favorável aos servidores.

Espera-se que as discussões girem em torno de:

  • A data-base dos demais servidores, que a prefeitura se comprometeu a pagar a partir de setembro.
  • A questão do retroativo para os professores, que ainda é alvo de insatisfação.
  • A gestão financeira do município, com a oposição questionando a capacidade da prefeitura de arcar com os reajustes sem comprometer outros serviços públicos.

Em resumo, enquanto a lei do piso já foi sancionada, as negociações e tensões em torno dela continuam. A oposição na Câmara tem uma plataforma sólida para questionar a forma de pagamento e pressionar por melhores condições para os professores, transformando a pauta em um dos principais pontos de atrito político no segundo semestre de 2025.

Crise Política na Câmara de Goiânia: Líder do Governo em Xeque

O cargo de líder do governo na Câmara Municipal de Goiânia está sob intensa pressão, e uma eventual troca de comando se tornou um dos temas mais comentados nos bastidores da política goianiense. A insatisfação de parte da base aliada e a percepção de falta de articulação entre o Executivo e o Legislativo colocam em xeque o atual líder, Igor Franco (MDB), e abrem espaço para novos nomes na disputa.

Os motivos da insatisfação

A possibilidade de troca de líder não é aleatória e, de acordo com fontes políticas, se deve a uma série de fatores. A principal crítica é a perda de protagonismo da liderança na negociação de pautas-chave. Em vez de o líder ser o principal articulador, a percepção é de que o próprio prefeito tem assumido a responsabilidade de negociar diretamente com os vereadores, o que enfraquece a função do cargo.

Outro ponto de atrito é a dificuldade em manter a base unida e disciplinada. A base governista tem apresentado rachas em votações importantes, e a oposição tem conseguido avançar com pautas sensíveis, como a proposta de uma CEI da Comurg, que o prefeito tentou evitar. A falta de controle sobre a base aliada é vista como um reflexo direto de uma liderança enfraquecida.

Há também o argumento de que a liderança precisa de um perfil mais agressivo e com maior capacidade de diálogo, tanto para defender os projetos do Executivo quanto para conter o avanço da oposição. Em suma, o cargo de líder do governo está em jogo por uma combinação de falta de articulação, perda de protagonismo e desafios na manutenção da disciplina da base governista.

Os cotados para a liderança

Com a situação de Igor Franco em xeque, diversos vereadores da base aliada se movimentam nos bastidores em busca do cargo. O cargo de líder do governo é uma posição de grande visibilidade e poder, o que atrai o interesse de parlamentares com ambições políticas.

Entre os principais nomes cotados para assumir a liderança, destacam-se:

  • Sabrina Garcez (MDB): É um nome forte, com trânsito livre com a prefeitura e com o Palácio das Esmeraldas, sede do Governo de Goiás. A vereadora é vista como uma parlamentar com capacidade de diálogo e articulação, e sua possível saída da Secretaria de Governo (Segov) para assumir a liderança da Câmara seria vista como um fortalecimento da gestão de Sandro Mabel no Legislativo.
  • Anselmo Pereira (MDB): Com vasta experiência na Câmara Municipal e na política goiana, Anselmo Pereira é visto como um nome técnico e com grande capacidade de negociação. Sua nomeação seria uma forma de dar mais solidez à articulação política do Executivo com os vereadores.
  • Denício Trindade (MDB): Conhecido por sua atuação equilibrada e com bom trânsito entre os demais colegas do Plenário, Denício possui um perfil mais técnico, o que o torna um nome atraente para negociar projetos de lei. Sua experiência no Legislativo e sua proximidade com a base aliada podem ser um diferencial para o cargo.
  • Henrique Alves (MDB): Vereador da base aliada, Henrique Alves é conhecido por ser um forte defensor das pautas do Executivo. Sua escolha para a liderança sinalizaria um alinhamento total com o Paço Municipal e a disposição de defender as propostas do prefeito com firmeza. Ele é visto como um articulador nos bastidores e tem a confiança de Mabel.

A decisão final sobre a troca de líder cabe ao prefeito Mabel, que já deu declarações de que a relação com os vereadores é “boa” e que os projetos são “construídos junto com a base”. No entanto, os movimentos nos bastidores indicam que o prefeito está avaliando a melhor estratégia para garantir a governabilidade em um segundo semestre que promete ser desafiador.

Mabel Direciona Vereadores para Emendas na Saúde

Mabel tem articulado com a base aliada na Câmara Municipal para que as emendas impositivas, destinadas por cada vereador, sejam direcionadas prioritariamente para a área da Saúde. A medida, que busca dar um foco estratégico ao orçamento municipal, reflete a percepção do Paço de que o setor é uma das principais preocupações da população goianiense e um dos maiores desafios da nova gestão.

A estratégia por trás da determinação

As emendas impositivas, que garantem a cada vereador o direito de destinar uma parte do orçamento para obras e serviços em suas bases eleitorais, são uma ferramenta crucial na relação entre o Executivo e o Legislativo.

Ao orientar que esses recursos sejam aplicados na Saúde, o prefeito Mabel busca alinhar os interesses dos parlamentares com os objetivos da prefeitura. A lógica é simples: melhorar o atendimento de saúde em Goiânia fortalece a imagem da gestão como um todo, e os vereadores podem ser vistos como parceiros nessa melhoria.

O foco na Saúde se justifica pelo histórico de problemas no setor, que enfrenta críticas constantes em relação ao atendimento, infraestrutura e falta de insumos.

A ideia é que os vereadores direcionem suas verbas para a reforma e ampliação de unidades de saúde, a compra de equipamentos e a melhoria dos serviços básicos, o que pode gerar um impacto positivo direto na vida dos cidadãos.

A determinação de Mabel também é uma estratégia política. A prefeitura evita que as emendas se espalhem por áreas menos urgentes, garantindo que o dinheiro público seja aplicado em um setor de grande visibilidade e que gera dividendos políticos tanto para o Executivo quanto para os parlamentares.

Repercussão entre os vereadores

A iniciativa tem sido bem recebida pela maioria dos vereadores da base governista. A proposta de destinar as emendas para a Saúde não é vista como uma imposição, mas como um acordo mutuamente benéfico. Os vereadores entendem que a população cobra por melhorias no setor e que a aplicação de suas emendas nessa área lhes dá um retorno político positivo junto a seus eleitores.

A decisão também fortalece a coesão da base aliada. Ao direcionar os esforços para um objetivo comum, o prefeito Sandro Mabel demonstra liderança e capacidade de articulação, o que pode ajudar a evitar atritos e garantir o apoio necessário para a aprovação de outras pautas importantes no futuro. A medida é um reflexo do entendimento de que uma boa gestão na Saúde é o pilar da popularidade de qualquer prefeito, e Mabel está investindo nessa área como prioridade.

Alguns vereadores se opõem à determinação do prefeito Sandro Mabel (UB) de direcionar suas emendas parlamentares prioritariamente para a Saúde por uma combinação de razões políticas e estratégicas.

Perda de Autonomia e Alinhamento Político

Um dos principais motivos para a resistência de alguns vereadores é a perda de autonomia na destinação dos recursos. As emendas impositivas são vistas como a ferramenta mais poderosa que um parlamentar tem para atender a demandas específicas de sua base eleitoral. Ao direcionar a maioria das emendas para um único setor, o Executivo interfere na prerrogativa do Legislativo de definir as prioridades de investimento.

Vereadores que possuem bases eleitorais ligadas a outros temas, como infraestrutura, educação, cultura ou esporte, se sentem limitados. Eles argumentam que suas emendas poderiam ser mais eficazes em outras áreas, gerando um impacto direto e mais visível em suas regiões de atuação. Além disso, a oposição enxerga essa medida como uma forma de o prefeito controlar a narrativa, garantindo que qualquer avanço na Saúde seja creditado a ele e à sua gestão, e não aos vereadores individualmente.

Falta de Transparência e Burocracia

Outra preocupação levantada é a falta de transparência e a burocracia na execução das emendas na área da Saúde. Frequentemente, a prefeitura destina esses recursos para a compra de equipamentos e a manutenção de unidades de saúde, mas a execução dos convênios e a prestação de contas podem ser complexas e demoradas.

Vereadores críticos argumentam que a burocracia pode atrasar a chegada dos recursos, o que gera insatisfação na base. Além disso, a destinação para a Saúde, em muitos casos, acaba beneficiando entidades privadas, o que levanta suspeitas sobre a fiscalização dos recursos públicos. Embora a destinação para o setor seja uma obrigação legal em parte das emendas, a totalidade do foco na área é vista por alguns como um risco de concentrar verbas em um setor que já possui problemas de gestão.

A resistência em relação às emendas na Saúde também está diretamente ligada, também, à polêmica da CEI da Comurg. Vereadores da oposição usam a pressão pela CEI como forma de questionar a gestão de  Mabel e sua capacidade de lidar com as finanças da cidade.

Eles argumentam que, se a prefeitura quer direcionar as emendas para a Saúde, ela deve antes provar que é capaz de gerir os recursos de forma eficiente e transparente. A oposição busca evidenciar que a prefeitura, ao mesmo tempo em que cobra o direcionamento de emendas, enfrenta um problema de credibilidade em relação à gestão da Comurg, que também recebe grandes volumes de recursos públicos.

A imposição de direcionar as emendas para a Saúde, portanto, não é vista apenas como uma estratégia de gestão, mas como um movimento político que visa concentrar o controle e desviar o foco de outras pautas sensíveis. Para esses vereadores, a autonomia na destinação dos recursos é inegociável, e a tentativa de coação representa uma afronta à independência do Legislativo.

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Redação GOYAZ

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