Exército toma poder na Guiné-Bissau e prende presidente

Exército toma poder na Guiné-Bissau após prender o presidente Umaro Sissoco Embaló na madrugada desta quarta-feira (26), um dia depois de eleições contestadas no país da África Ocidental.
Disparos foram ouvidos em Bissau pouco antes de o porta-voz militar Diniz NTchama anunciar em cadeia de televisão que o chefe de Estado havia sido deposto, o processo eleitoral suspenso, as fronteiras fechadas e um toque de recolher decretado.
Exército toma poder na Guiné-Bissau e prende presidente
No pronunciamento, NTchama informou a criação do “Alto Comando Militar para a Restauração da Ordem”, que governará a nação de dois milhões de habitantes “até segunda ordem”. Momentos depois, Embaló confirmou à emissora France 24: “Fui deposto”.
Os oficiais sustentam que a intervenção respondeu a “um plano de desestabilização arquitetado por certos políticos e barões da droga, nacionais e estrangeiros”, além de alegada tentativa de manipular o resultado das urnas. A Guiné-Bissau, situada entre Senegal e Guiné, é apontada por organismos internacionais como rota de tráfico de cocaína com destino à Europa, segundo relatório recente da ONU.
Até o momento não há confirmação de apoio unificado dentro das Forças Armadas. Analistas temem novos focos de violência caso facções militares rivais contestem a junta recém-instalada. Organizações regionais, como a CEDEAO, ainda não se pronunciaram oficialmente.
O golpe confirma um histórico de instabilidade política no país, marcado por sucessivos levantes desde a independência em 1974. A interrupção do pleito presidencial aprofunda a crise institucional e pode isolar ainda mais a economia local, já fragilizada.
Observadores internacionais destacam que a restauração da ordem constitucional dependerá da rapidez com que se obtenha consenso interno e apoio externo, cenário ainda incerto.
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