Lula amplia mercados e defende multilateralismo pós tarifa

Lula amplia mercados e defende multilateralismo pós tarifa
Lula amplia mercados e defende multilateralismo pós tarifa ao intensificar a diplomacia com países do Brics e do Sul Global, após os Estados Unidos aplicarem tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e sinalizarem novas sanções.
Lula amplia mercados e defende multilateralismo pós tarifa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula uma teleconferência, ainda sem data definida, com líderes do Brics e de nações do Sul Global. Antes mesmo da reunião coletiva, Lula já manteve conversas bilaterais com os chefes de Estado da China, Rússia e Índia, na tentativa de formar uma frente que pressione por regras comerciais equilibradas e revigore o papel das organizações multilaterais.
Embora a ênfase esteja nos emergentes, o Palácio do Planalto não descarta interlocuções tradicionais. França e Alemanha surgem como próximos alvos, reforçando a ideia de que a estratégia brasileira busca amplitude de parceiros para contrapor a retórica protecionista do ex-presidente norte-americano Donald Trump.
Diplomatas reconhecem, porém, a dificuldade de alinhar posições dentro de um Brics heterogêneo. Cada economia do bloco reage de forma distinta às políticas de Washington, e poucos líderes se mostram dispostos a criticar Trump publicamente.
Um ponto de convergência aparece na proposta de reforma da Organização Mundial do Comércio. O Itamaraty relembra a paralisia do Órgão de Apelações desde que os EUA bloquearam a nomeação de juízes, situação que afeta diretamente a resolução de disputas internacionais.
Apesar das tensões políticas, o agronegócio brasileiro mantém desempenho positivo. Em julho, as exportações somaram US$ 15,6 bilhões, alta de 1,5% ante igual mês de 2023. O café liderou o avanço, com aumento de 25,3% no valor embarcado. China (US$ 5,62 bilhões) e União Europeia (US$ 2,36 bilhões) seguem como principais mercados, enquanto México (+23%), Arábia Saudita (+28,8%) e Tailândia (+18%) despontam como destinos em expansão.

Trump reacendeu o atrito nesta quinta-feira (14) ao acusar o Brasil de práticas injustas e justificar o tarifaço mencionando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula rebateu dizendo que o país “não ficará de joelhos” à Casa Branca e que as críticas de Trump repetem a narrativa de fraude eleitoral.
Em entrevista à Reuters, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) previu nova rodada de sanções norte-americanas. A equipe econômica de Lula admite o risco, mas aposta na diversificação de mercados — de corvina a mel — para proteger as vendas externas.
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Crédito da imagem: Agência Brasil