
Um estudo do Ranking dos Políticos concluiu que nenhum dos seis planos presidenciais examinados contém medidas suficientes para estabilizar a dívida pública brasileira. O levantamento reuniu 1.297 propostas de Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Romeu Zema e Augusto Cury.
Do total, 478 iniciativas apresentavam informações que permitiam estimar custos, economias e aderência às limitações orçamentárias atualmente vigentes, sem julgamento político ou jurídico. A análise classificou 217 como viáveis, 249 como parcialmente viáveis e 12 como inviáveis, sendo nove vinculadas ao Missão e três ao PL.
Os cálculos usaram o Relatório de Acompanhamento Fiscal número 113 da Instituição Fiscal Independente, publicado em junho de 2026, além do arcabouço fiscal e da regra de ouro. A metodologia aplicou a mesma base macroeconômica aos seis concorrentes, mas desconsiderou propostas sem dados suficientes para quantificar efeitos sobre receitas e despesas.
Segundo a instituição, estabilizar a dívida bruta exigiria superávit primário de 2,1% do PIB, diante da projeção deficitária de 0,4% para 2026. A diferença corresponde a um ajuste adicional de 2,5 pontos percentuais do PIB, estimado em R$ 342 bilhões anuais antes das promessas eleitorais.
Romeu Zema apresentou o resultado mais próximo do equilíbrio, com distância anual de R$ 392 bilhões, equivalente a 2,9% do PIB, e déficit central de R$ 50 bilhões. A faixa projetada alcança zero em determinado cenário, porém depende de reforma previdenciária com efeitos posteriores ao mandato e não define uma nova âncora fiscal.
Augusto Cury registrou distância anual de R$ 393 bilhões, também equivalente a 2,9% do PIB, além de saldo negativo estimado em R$ 51 bilhões. Embora declare meta de déficit próximo de zero durante o mandato, seu programa deixou 67% das propostas sem mensuração por ausência de informações orçamentárias.
Ronaldo Caiado apresentou o documento considerado mais claro sobre impactos fiscais, mas sua regra permitiria que despesas obrigatórias crescessem abaixo do PIB nominal. O cenário indica déficit anual de R$ 69 bilhões e distância de R$ 411 bilhões, ou 3% do PIB, sem detalhar cortes após rejeitar novos tributos.
O plano de Lula preserva ou amplia diferentes despesas, mas somente 29% das propostas tiveram fontes externas disponíveis para classificação, menor cobertura entre os concorrentes. O resultado mensurável aponta déficit de R$ 111 bilhões anuais e distância de R$ 452 bilhões, equivalente a 3,3% do PIB, considerada um piso do impacto.
Flávio Bolsonaro aparece com déficit anual de R$ 154 bilhões e distância de R$ 496 bilhões, equivalente a 3,6% do PIB, sem propor âncora substituta. O relatório afirma que 68% de suas medidas não tinham cifras, enquanto valores atribuídos às promessas mais caras elevaram a parcela identificada do impacto.