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Mais de 29 mil pessoas vivem com HIV em Goiás

Boletim Epidemiológico mostra concentração de casos na região Central e entorno de Goiânia

Mais de 29 mil pessoas vivem com HIV em Goiás: o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), lançou um alerta abrangente à população, aproveitando o Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro, para reforçar a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e da adesão às estratégias de prevenção. Esta data é um marco de mobilização global instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1988, e inaugura o Dezembro Vermelho, a campanha nacional focada na conscientização, prevenção, testagem e tratamento do HIV e das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), com uma programação que se estende ao longo do mês.

As estratégias do estado estão alinhadas às ambiciosas metas internacionais do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids): diagnosticar 95% das pessoas que vivem com HIV, garantir que 95% delas estejam em tratamento e que 95% das que estão em tratamento tenham a carga viral indetectável. De acordo com dados consolidados no Painel de Indicadores de Saúde de Goiás, o período entre janeiro de 2010 e novembro de 2025 registrou 21.249 casos de HIV e 10.540 casos de Aids. Embora os avanços no tratamento antirretroviral (Tarv) tenham sido significativos, com a disponibilidade de testes rápidos em todas as unidades públicas de saúde, os números exigem o fortalecimento contínuo da prevenção e a ampliação do diagnóstico oportuno.

Mais de 29 mil pessoas vivem com HIV em Goiás

O combate à epidemia é baseado no conceito de prevenção combinada, que integra diversas estratégias para aumentar a proteção contra o HIV e outras ISTs. Entre as ferramentas gratuitas e disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), destacam-se o uso regular de preservativos, a testagem periódica e o acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e à Profilaxia Pós-Exposição (PEP). A PrEP é indicada para pessoas com maior risco de exposição e deve ser utilizada de forma contínua ou sob demanda. Já a PEP, que deve ser iniciada em até 72 horas após uma situação de risco, oferece uma proteção de emergência crucial.

O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são fundamentais. A coordenadora de Agravos Transmissíveis e IST/Spais da SES, Ana Paula Vieira de Deus, sublinha que o tratamento não apenas garante qualidade de vida ao paciente, como também tem um impacto direto na saúde pública. “O tratamento que impede a transmissão do vírus. Pessoas que utilizam a terapia antirretroviral e atingem carga viral indetectável não transmitem o HIV por via sexual”, alerta, citando a ciência de que “Indetectável = Intransmissível” (I=I). Ela reforça que “Hoje, testar, tratar e se prevenir é simples, gratuito e sigiloso.”

Panorama Epidemiológico em Goiás: Avanços e Desafios

Em uma ação alusiva ao Dezembro Vermelho, a SES lançou o boletim “Epidemiologia da Infecção por HIV e Aids em Adultos – 2015 a 2025”. Os dados, divulgados no Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), confirmam os avanços do estado: entre 2015 e 2025, foram notificados 25.100 casos de HIV e Aids em adultos. A boa notícia é a queda nos casos de Aids (fase avançada da infecção) e uma redução significativa no número de óbitos nos últimos anos, reflexo direto da ampla oferta de tratamento gratuito pelo SUS. Em 2024, o coeficiente de mortalidade em Goiás foi de 4,3 por 100 mil habitantes, um número próximo à média nacional (3,9 por 100 mil habitantes em 2023).

Apesar disso, o boletim aponta que a transmissão do HIV ainda está ativa, concentrando-se principalmente em pessoas jovens e adultas. Atualmente, 29.503 pessoas vivem com HIV em Goiás, mas há um desafio na adesão: 5% desse público não está vinculado aos serviços de saúde e 15% não iniciou ou interrompeu o tratamento. A subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, destaca que o tratamento contínuo é o maior fator de prevenção e evita complicações de saúde.

A SES também reitera o apelo para o combate ao preconceito. A coordenadora da vigilância de ISTs/Aids/HIV/Hepatites Virais da SES, Luciene Siqueira Tavares, enfatiza que o estigma social é o verdadeiro inimigo, pois afasta as pessoas dos serviços de saúde e dificulta o diagnóstico precoce. “O HIV é uma condição de saúde como qualquer outra, e toda pessoa merece acolhimento, informação e cuidado sem julgamentos”, afirma. O boletim aponta que as regiões Central, Centro Sul, Pirineus, Sudoeste I, Entorno Sul e Sul concentram o maior número de casos.

A programação completa do Dezembro Vermelho em Goiás, com ações educativas, testes e orientações em Goiânia e Região Metropolitana, está disponível para consulta. O teste rápido é simples, gratuito, sigiloso e não requer jejum.

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Crédito da Imagem: I

Redação GOYAZ

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