Maternidades de Goiânia sob dupla lupa: MS e Prefeitura auditam qualidade e gastos (2022-2024)
Os resultados dessas auditorias são cruciais para a formulação de políticas públicas e para a destinação de recursos, visando aprimorar a assistência obstétrica e neonatal

Maternidades de Goiânia sob dupla lupa: MS e Prefeitura auditam qualidade e gastos (2022-2024): equipes de auditoria do Ministério da Saúde estão em Goiânia esta semana para realizar uma série de avaliações nas maternidades da capital.
O objetivo é verificar a qualidade dos serviços oferecidos, a infraestrutura das unidades e a conformidade com as diretrizes e portarias do Sistema Único de Saúde (SUS) no que tange à atenção materno-infantil.
Maternidades de Goiânia sob dupla lupa: MS e Prefeitura auditam qualidade e gastos (2022-2024)
As auditorias, que são parte de um programa nacional de monitoramento e avaliação da rede de saúde, focam em diversos aspectos, incluindo a segurança do paciente, a humanização do atendimento, a disponibilidade de leitos, a atuação das equipes multiprofissionais e o acesso a exames e procedimentos essenciais para gestantes e recém-nascidos.
Representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia e da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) estão acompanhando o trabalho dos auditores, prestando as informações necessárias e facilitando o acesso às unidades.
A expectativa é que as avaliações resultem em um diagnóstico preciso sobre a situação atual das maternidades da cidade, permitindo a identificação de pontos fortes e, principalmente, de áreas que necessitam de melhorias.
Os resultados dessas auditorias são cruciais para a formulação de políticas públicas e para a destinação de recursos, visando aprimorar a assistência obstétrica e neonatal. A qualidade da atenção em maternidades impacta diretamente a saúde de mães e bebês, sendo um indicador fundamental do desenvolvimento social e da eficiência do sistema de saúde.
Ao final dos trabalhos, espera-se um relatório detalhado do Ministério da Saúde, que será fundamental para orientar as próximas ações das autoridades de saúde em Goiânia e em Goiás.
Prefeitura Busca Auditoria Abrangente desde 2022
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) anunciou nesta quarta-feira (28/5) que solicitará formalmente a ampliação do escopo da auditoria, para que os trabalhos investiguem a aplicação de recursos federais repassados às unidades desde 2022 até 2024.
O secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, fez o anúncio durante uma visita institucional de representantes do Denasus à sede da SMS. Ele enfatizou que a medida visa uma avaliação completa da gestão dos recursos públicos nos últimos anos.
“Vamos encaminhar ofício solicitando que a auditoria contemple os exercícios de 2022 a 2024, para apurar a produção real das unidades, o destino dos recursos e a falta de pagamento que culminou no colapso dos serviços”, afirmou.
Planejamento e Colaboração
O diretor do Denasus, Rafael Bruxellas, explicou que o processo ainda está em fase de planejamento, com a definição do objeto e do escopo da auditoria.
“A partir dessas definições, será elaborado um plano de ação. Só então serão agendadas as auditorias in loco nas unidades”, detalhou. Bruxellas elogiou a colaboração da atual gestão da Saúde de Goiânia, destacando a abertura ao diálogo e a prontidão em fornecer documentos.
A visita do Denasus teve como objetivo alinhar expectativas e entender os desafios enfrentados pela SMS, buscando contribuir com soluções eficazes.
Somente em 2025, mais de R$ 86 milhões já foram repassados à Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), destinados ao pagamento de dívidas herdadas e à manutenção das três maternidades municipais.
Crise e Reivindicação por Transparência
Pellizzer criticou a possibilidade de a auditoria se limitar ao início de 2025. Ele relembrou a situação das maternidades ao assumir a gestão:
“Assumimos as maternidades em colapso, com salários atrasados, falta de insumos e medicamentos, atendimentos eletivos suspensos, apenas 30% da capacidade de urgência e emergência em funcionamento e leitos de enfermaria e UTI desativados por falta de repasses regulares em 2023 e 2024”.
O secretário também contestou um pedido de uma vereadora para que a auditoria do Denasus se restringisse ao período atual.
“É uma parlamentar que esteve em pleno exercício do mandato durante todo o período de agravamento da crise. Solicitar auditoria apenas sobre 2025, quando os repasses estão em dia, é ignorar todo o histórico de falhas e má gestão que comprometeram o funcionamento das maternidades”, concluiu.
A expectativa é que a ampliação do escopo da auditoria traga luz sobre a totalidade da gestão dos recursos nas maternidades, garantindo maior transparência e responsabilização.