Meninos trocados em Goiás terão quatro pais no registro

Meninos trocados em Goiás terão quatro pais no registro: eles passarão a ter os nomes de seus quatro pais — biológicos e socioafetivos — inscritos nas certidões de nascimento. A decisão, proferida pela Vara da Infância e Juventude, formaliza o vínculo afetivo de Yasmin Kessia da Silva e Cláudio Alves, bem como o laço biológico de Isamara Cristina Mendanha e Guilherme Luiz de Souza.
Segundo o juiz responsável, a medida prioriza o interesse das crianças, garantindo convivência equilibrada com ambas as famílias. Ficou definido que, durante a semana, os meninos permanecem com os pais biológicos; nos fins de semana, a guarda será alternada, permitindo que todas as figuras parentais participem do dia a dia.
Meninos trocados em Goiás terão quatro pais no registro
O cronograma de convivência compartilhada prevê três modalidades: em um fim de semana, os dois garotos ficam com um casal; no outro, com o segundo casal; no terceiro, cada menino permanece com os pais biológicos. A transição começou quando um dos pais biológicos buscou o filho na escola para levá-lo à nova residência, após preparação gradual das crianças.
A troca foi descoberta quase três anos após o nascimento, em 15 de outubro de 2021. A suspeita surgiu quando Cláudio Alves solicitou exame de DNA, que indicou ausência de vínculo genético. Novos testes confirmaram que os bebês haviam sido entregues às famílias erradas na maternidade. Desde então, os casais cultivam relação próxima e planejam residir em bairros próximos para manter os garotos como irmãos.
Apesar do acordo, o processo contra o Hospital da Mulher segue em tramitação. A defesa, representada pelo advogado Kuniyoshi Watanabe, informou que ainda serão produzidas provas em audiência de instrução. Todas as medidas, frisou ele, ocorrem “com foco absoluto na proteção das crianças, no esclarecimento dos fatos e no respeito ao sigilo”. O hospital não comentou o caso; em nota anterior, alegou a impossibilidade de se manifestar porque envolve menores.
O reconhecimento da dupla filiação também acompanha tendência do direito brasileiro de valorizar vínculos afetivos. Em decisões recentes, o Conselho Nacional de Justiça ressaltou que laços socioafetivos podem coexistir com a filiação biológica, assegurando direitos iguais a todas as partes.
Com a nova certidão, especialistas avaliam que as crianças passam a ter maior segurança jurídica em temas como herança, planos de saúde e benefícios sociais, já que os quatro pais compartilharão responsabilidades e deveres legais.
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Foto: Reprodução/Instagram.