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Mistério na Raça: o que está matando centenas de cavalos no Brasil?

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a ligação entre os óbitos e produtos da empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda

Mistério na Raça: o que está matando centenas de cavalos no Brasil? Uma onda de mortes de cavalos tem alarmado criadores e autoridades em diversas regiões do Brasil. Desde o final de maio, mais de 240 equinos já morreram em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Alagoas, com a principal suspeita recaindo sobre a ingestão de ração contaminada.

Mistério na Raça: o que está matando centenas de cavalos no Brasil?

As investigações do Mapa apontam que a ração foi contaminada por alcaloides pirrolizidínicos, substâncias tóxicas para o fígado e o sistema neurológico dos animais. Análises realizadas por Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária confirmaram a presença desses compostos, que são proibidos em qualquer concentração na alimentação animal.

A suspeita é que a falha esteja no controle da matéria-prima utilizada pela empresa, que teria incorporado resíduos de plantas do gênero Crotalaria, conhecidas por gerar a substância monocrotalina.

Os sintomas nos animais são variados e podem surgir tardiamente, mesmo após a interrupção do consumo da ração. Relatos indicam perda de apetite, dificuldade de locomoção, cegueira, incoordenação motora e, em casos graves, problemas neurológicos que levam à morte. Muitos cavalos afetados desenvolveram insuficiência hepática severa.

Impacto e Medidas do Governo

A extensão da tragédia é grande, com perdas que ultrapassam o valor financeiro. Entre as vítimas, está o garanhão Quantum Alcateia, avaliado em R$ 12 milhões, um dos cavalos Mangalarga Marchador mais premiados do país. Haras em diferentes estados contabilizam prejuízos milionários, além da perda de material genético valioso.

Diante da gravidade da situação, o Ministério da Agricultura e Pecuária agiu rapidamente. No início de julho, determinou o recolhimento de todos os produtos fabricados pela Nutratta desde 21 de novembro de 2024, além de suspender a comercialização e produção de rações da empresa destinadas a equídeos.

O secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, afirmou que este é um caso inédito na história do Mapa, nunca antes tendo sido identificada essa substância em ração para cavalos.

Apesar da interdição inicial, a Nutratta conseguiu, na Justiça, uma autorização para retomar parte da produção, o que levou o governo a recorrer da decisão, apresentando novas evidências técnicas sobre os riscos sanitários. O Mapa continua recebendo denúncias e reforça a importância de usar a Ouvidoria oficial para qualquer informação relacionada ao caso.

Investigações e Perspectivas Futuras

As autoridades seguem investigando a fundo a cadeia de produção da ração para identificar as falhas que levaram à contaminação e responsabilizar os envolvidos. O caso levanta discussões importantes sobre a necessidade de maior rigor nos controles de qualidade e rastreabilidade na indústria de alimentação animal no Brasil, a fim de evitar que tragédias como esta se repitam e protejam o patrimônio e a saúde animal do país.

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Redação GOYAZ

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