Moody’s alerta sobre possíveis sanções dos EUA ao Brasil
Moody’s alerta sobre possíveis sanções dos EUA ao Brasil após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), indicando que Washington pode revogar exceções tarifárias concedidas a produtos brasileiros.
A agência de classificação de risco divulgou, no sábado (13), que setores como exportação de aeronaves, petróleo e suco de fruta seriam os mais vulneráveis a uma reversão das isenções. O vice-presidente e diretor de crédito sênior da Moody’s para a América Latina, Adrian Garza, disse ao Estadão/Broadcast que a situação é “fluida” e pode se agravar caso as tensões bilaterais aumentem.
Moody’s alerta sobre possíveis sanções dos EUA ao Brasil
Além da pauta comercial, o relatório chama atenção para o setor financeiro, que responde por 22% do investimento estrangeiro direto dos Estados Unidos no Brasil. “Os bancos brasileiros até agora evitaram sanções, mas medidas podem interromper operações transfronteiriças e abalar a confiança dos investidores”, afirmou Garza.
Apesar do alerta setorial, a Moody’s avaliou que o perfil de crédito soberano do país permanece protegido no curto prazo. “Não vemos um aumento imediato na vulnerabilidade externa do Brasil”, acrescentou o executivo, lembrando que o rating brasileiro está em “Ba1”, um degrau abaixo do grau de investimento. Em maio, a perspectiva da nota passou de positiva para estável, refletindo um prazo maior para a consolidação fiscal.
A eventual retirada de benefícios comerciais ocorre em um momento de recuperação das exportações brasileiras. Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, os embarques de produtos agrícolas e de energia vêm crescendo desde 2023, impulsionando a corrente de comércio entre os dois países.
Por ora, não há indicação formal de que a Casa Branca adotará novas sanções, mas analistas de mercado monitoram os desdobramentos políticos em Brasília e Washington. Investidores temem que a incerteza pese sobre o câmbio e o fluxo de capital estrangeiro, caso o ambiente de negócios seja impactado por tarifas adicionais.
Garza reforçou que a Moody’s seguirá avaliando o cenário, e que mudanças bruscas poderiam alterar a percepção de risco dos ativos brasileiros. Em paralelo, o governo federal busca manter o diálogo com autoridades norte-americanas para preservar os acordos existentes.
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Crédito: CNN Brasil