Moscou mantém diálogo com EUA e anuncia nova rodada de negociações
Kremlin afirma que contatos com Washington prosseguem enquanto condições permitirem. Autoridades russas rejeitam relato que atribui perda de interesse de Moscou às tensões com o Irã.

O Kremlin afirmou que a Rússia mantém contatos com os Estados Unidos para definir a realização de nova rodada de negociações sobre um acordo de paz na Ucrânia assim que as circunstâncias permitirem. O porta‑voz Dmitry Peskov afirmou isso a repórteres na quinta‑feira (26) e disse que a coordenação entre os governos prossegue enquanto existentes obstáculos ainda precisam ser avaliados.
Peskov refutou a análise opinião que atribuía ao conflito com o Irã perda de interesse do presidente Vladimir Putin em buscar um acordo na Ucrânia e classificou a versão como falsa. Ele afirmou que, ao contrário da matéria apontada, durante as rodadas trilaterais anteriores houve avanços pontuais em direção a entendimentos que precisariam ser aprofundados em negociações futuras.
O porta‑voz reiterou que a Federação Russa não perdeu interesse nas negociações entretanto destacou que questões centrais, especialmente sobre fronteiras e territórios, continuam sem solução. Segundo ele, esses pontos permanecem como pré‑condições para qualquer compromisso e exigirão negociação técnica envolvendo especialistas jurídicos e representantes políticos das partes envolvidas.
O assessor do Kremlin Yuri Ushakov informou que os Estados Unidos comunicaram a Moscou sobre a reunião realizada em Flórida com delegação ucraniana no sábado (21) antes noticiada pelos envolvidos. Ushakov acrescentou que as últimas rodadas trilaterais aconteceram no mês passado antes dos ataques aéreos contra o Irã em sexta‑feira (28) de fevereiro e de operações subsequentes na região.
Analistas citados na imprensa apontaram que variações nos preços do petróleo e mudanças na atenção dos Estados Unidos podem alterar os incentivos para negociações, embora avaliações sobre esse efeito ainda sejam divergentes entre especialistas. Um artigo de opinião atribuiu a reversão dessa dinâmica à escalada do conflito com o Irã, mas o governo russo afirmou que tais interpretações não refletem as conversas concretas observadas nas últimas trocas diplomáticas.