
Oposição interrompe recesso para pedir impeachment de Moraes: a liderança da oposição na Câmara dos Deputados intensificou as articulações políticas para interromper o recesso parlamentar. O objetivo central é o protocolo de um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento reflete o aumento da tensão entre o Poder Legislativo e o Judiciário.
O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), novo líder da oposição, convocou os parlamentares para estarem em Brasília na próxima segunda-feira, dia 29 de dezembro. Antes do protocolo oficial, o parlamentar realizará uma entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara, prevista para as 16h. Vale destacar que, conforme o rito constitucional definido pela Lei 1079/1950, processos contra ministros da Suprema Corte devem ser julgados pelo Senado Federal.
Oposição interrompe recesso para pedir impeachment de Moraes
O comunicado oficial da liderança justifica a suspensão do recesso pela segunda vez devido ao que chamam de absurdo institucional. Segundo a nota enviada à imprensa, a gravidade do momento político exige uma postura ativa e de coragem por parte dos representantes eleitos. O grupo busca mobilizar a base aliada para pressionar a presidência do Senado a dar andamento às denúncias.
A iniciativa atual soma-se a outra ação protocolada por senadores na última terça-feira, dia 23 de dezembro. Aquele pedido baseou-se em reportagens sobre supostos diálogos entre o ministro e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A oposição alega que tais contatos para tratar de temas relacionados ao Banco Master configurariam conflito de interesses e uso indevido da influência do cargo para beneficiar setores privados.
Em períodos anteriores, como em julho, a bancada bolsonarista já havia tentado retomar os trabalhos durante o chamado recesso branco. Naquela ocasião, a motivação foram as medidas cautelares impostas pelo STF ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar da pressão, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), manteve a proibição de reuniões formais de comissões durante o período de descanso parlamentar, seguindo o Regimento Interno da Câmara dos Deputados.
A estratégia de protocolar o pedido no Senado Federal busca isolar politicamente o ministro e forçar um debate sobre o equilíbrio entre os poderes. Os parlamentares argumentam que a fiscalização das instâncias superiores é uma prerrogativa essencial do Congresso Nacional. O desdobramento desta segunda-feira será decisivo para medir o real apoio da base oposicionista a essa nova ofensiva jurídica.
Crédito da Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil