Orçamento de 2026 segue sem data para votação
Mesmo com garantias do prefeito Sandro Mabel, falta de sinalização da Comissão Mista gera incerteza sobre o recesso

Orçamento de 2026 segue sem data para votação: Orçamento emperrado e silêncio ensurdecedor. a novela da LDO e da LOA de 2026 na Câmara Municipal de Goiânia ganhou um novo capítulo — e nada animador. Com a Comissão Mista ainda sem data para se reunir, o vice-presidente da Casa, Anselmo Pereira (MDB), resolveu romper o silêncio e fazer uma cobrança pública que, embora sem nomes, teve endereço certo. O recado foi dado em plenário vazio, mas dirigido a quem segura a chave do cofre orçamentário.
Orçamento de 2026 segue sem data para votação
O detalhe que incomodou mais do que a fala foi o contexto: a cobrança ocorreu sem a presença do presidente da Comissão Mista, Cabo Senna (PRD), nem do relator da LDO, Lucas Vergílio (MDB). Ausências que, nos corredores, não passaram despercebidas e alimentaram a sensação de que o orçamento segue refém de uma estratégia de empurra-empurra.
Enquanto isso, o calendário avança implacável. A LDO está na Câmara desde agosto, já foi e voltou mais de uma vez e ainda assim permanece estacionada. A LOA chegou no fim de outubro e entrou na mesma fila de espera. Com Natal e Ano Novo batendo à porta, a pergunta que ecoa nos bastidores é simples: falta tempo ou sobra conveniência?
Do lado do Paço Municipal, o discurso é de tranquilidade — quase excessiva. O prefeito Sandro Mabel (União Brasil) garantiu publicamente que não haverá recesso sem votação do orçamento e afirmou que os textos estão maduros e prontos para apreciação. Na teoria, tudo resolvido. Na prática, porém, ninguém sabe dizer quando a Comissão Mista vai se reunir.
A ausência de sinalizações por parte da presidência do colegiado, mesmo às vésperas das festas de fim de ano, elevou o nível de desconfiança dentro da própria Câmara. A hipótese de sessões extraordinárias em dezembro, antes vista como remota, já circula como plano B — ou talvez como último recurso para evitar um constrangimento institucional.
No centro do impasse está o velho e conhecido tema da autonomia do Executivo para mexer no orçamento. A Prefeitura começou pedindo autorização para remanejar até 50% dos recursos municipais. Diante da reação dos vereadores, recuou para 30%. Ainda assim, o percentual segue indigesto para parte da Casa, que vê no movimento uma tentativa de concentrar poder financeiro no Paço.
As 37 emendas apresentadas pelos parlamentares escancaram o desconforto. Há propostas para endurecer o controle fiscal, limitar créditos suplementares e reduzir ainda mais a margem de manobra do Executivo. No discurso oficial, tudo caminha para um entendimento. Nos bastidores, porém, a leitura é outra: enquanto ninguém marca a reunião, o orçamento segue travado — e o silêncio, cada vez mais barulhento. Se a estratégia é ganhar tempo, o risco é transformar o fim de ano legislativo em mais um capítulo de desgaste político para todos os lados.
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Crédito da Imagem: IA