Polícia Civil centraliza combate a crimes financeiros no gabinete do delegado-geral
Polícia Civil de Goiás altera sua estrutura para centralizar o combate a crimes financeiros. A partir de uma portaria publicada nesta terça-feira (19), o Grupo de Recuperação de Ativos, antes ligado à delegacia de crimes tributários, passa a responder diretamente ao delegado-geral

A Delegacia-Geral da Polícia Civil de Goiás publicou a Portaria nº 417 na terça-feira (19) que promove uma mudança em sua estrutura administrativa. A medida transfere o Grupo Especializado de Recuperação de Ativos do Estado de Goiás (GEAC) da subordinação da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT) para o Gabinete do Delegado-Geral.
Polícia Civil centraliza combate a crimes financeiros no gabinete do delegado-geral
A alteração, assinada pelo Delegado-Geral André Gustavo Corteze Ganga, tem como objetivo principal unificar e fortalecer o comando das ações de investigação e recuperação de bens e valores obtidos de forma ilícita. A decisão considera que o GEAC agora se reportará à mesma chefia imediata da recém-criada Divisão de Recuperação de Ativos, que também está ligada diretamente ao Gabinete do Delegado-Geral.
Aprimoramento e Coerência Organizacional
O documento justifica a mudança com a necessidade de “uniformidade de comando” e “atuações concêntricas, harmônicas e eficientes”. A proximidade hierárquica entre o GEAC e a nova Divisão de Recuperação de Ativos, que tem competências voltadas para investigações financeiras e patrimoniais, permitirá uma melhor coordenação institucional e a otimização dos fluxos de trabalho.
O GEAC é o braço operacional da Polícia Civil no âmbito do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Goiás (CIRA-GO), composto por membros do Ministério Público, Procuradoria-Geral do Estado e Secretaria da Economia. Com a nova subordinação, o grupo especializado, que já atua na repressão de ilícitos fiscais e na recuperação de créditos tributários, terá uma linha de comunicação direta com a cúpula da Polícia Civil.
Além de formalizar a nova estrutura no organograma da Delegacia-Geral, a Portaria nº 417 determina que os gestores de todos os sistemas de informática da Polícia Civil façam as atualizações necessárias. A Gerência de Comunicação e Cerimonial também foi instruída a atualizar o organograma no site oficial da instituição, garantindo transparência e alinhamento interno.
Prós (Vantagens)
- Aumento da Eficiência e Otimização de Fluxos: A Portaria busca alinhar duas unidades com propósitos semelhantes – o Grupo Especializado de Recuperação de Ativos (GEAC) e a nova Divisão de Recuperação de Ativos. Ao colocar ambos sob a mesma chefia, a expectativa é que a coordenação, o fluxo de trabalho e a troca de informações sejam otimizados.
- Uniformidade de Comando: O texto menciona a necessidade de “uniformidade de comando, com vistas a atuações concêntricas, harmônicas e eficientes”. Isso significa que as decisões e estratégias de combate a crimes financeiros e recuperação de bens serão centralizadas, evitando atuações isoladas ou conflitos de interesse.
- Fortalecimento da Unidade: A subordinação direta ao Gabinete do Delegado-Geral eleva a importância do GEAC e da Divisão de Recuperação de Ativos. Essa proximidade com a cúpula da Polícia Civil pode facilitar o acesso a recursos e garantir maior apoio para as operações.
- Coerência Organizacional: A mudança corrige uma incoerência na estrutura. O GEAC, que é o braço operacional do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-GO), agora está no mesmo nível hierárquico da Divisão com a qual tem maior afinidade de trabalho.
Contras (Desvantagens e Riscos)
- Risco de Concentração de Poder: Ao centralizar a atuação de recuperação de ativos diretamente no Gabinete do Delegado-Geral, há um risco de que as decisões se tornem excessivamente dependentes de uma única figura ou de um pequeno grupo. Isso pode levar a gargalos ou à falta de autonomia das equipes de campo em certas situações.
- Falta de Foco na Repressão Tributária: A Portaria remove o GEAC da subordinação da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT). Embora a justificativa seja a afinidade com a nova Divisão, essa mudança pode, em tese, diminuir o foco do GEAC especificamente em crimes tributários, diluindo sua especialização em um âmbito mais amplo de recuperação de ativos.
- Impacto na Dinâmica de Trabalho: Toda mudança estrutural, mesmo que bem-alinhada, exige um período de adaptação. A transferência de subordinação pode gerar incertezas, exigir a redefinição de papéis e responsabilidades, e potencialmente causar uma lentidão inicial nas operações enquanto as novas rotinas são estabelecidas.
Resumo
A Delegacia-Geral da Polícia Civil de Goiás transferiu o Grupo Especializado de Recuperação de Ativos (GEAC) para a subordinação direta do Gabinete do delegado-geral. A mudança estratégica busca centralizar e unificar o comando das ações de combate a crimes financeiros e recuperação de bens, alinhando o GEAC com a recém-criada Divisão de Recuperação de Ativos.
Embora a medida prometa otimizar fluxos de trabalho e fortalecer as operações, há o risco de excessiva concentração de poder e uma possível perda de foco na especialização em crimes tributários.