Polícia prende mulher por venda ilegal de injetável de alto custo para emagrecimento
Comercialização do medicamento era feita de forma clandestina e ostensiva em grupos de mensagens e redes sociais. A vendedora divulgava abertamente preços e condições, tratando o remédio como um produto comum, sem qualquer exigência de receita médica e nenhum controle sobre os dados ou a saúde dos compradores

Polícia prende mulher por venda ilegal de injetável de alto custo para emagrecimento: a Polícia Civil de Goiás (PCGO) desarticulou um esquema de venda clandestina de medicamentos injetáveis de uso controlado para emagrecimento, prendendo uma mulher em flagrante na manhã desta segunda-feira (6) no Setor Sudoeste. A suspeita comercializava o medicamento tirzepatida, uma substância de alto custo e que só pode ser vendida sob prescrição médica e controle sanitário rigoroso.
A prisão foi efetuada pela equipe da 4ª Delegacia de Polícia de Goiânia – 1ª DRP, após diligências que rastrearam a oferta do produto. A comercialização era feita de forma ostensiva em grupos de mensagens, onde a vendedora divulgava preços e condições, sem qualquer exigência de receita ou controle de dados dos compradores.
Polícia prende mulher por venda ilegal de injetável de alto custo para emagrecimento
O flagrante ocorreu no momento em que a mulher aguardava na calçada de sua residência para efetuar a entrega de uma unidade do medicamento a um comprador. Dentro do imóvel, a Polícia Civil localizou oito caixas do produto, sendo seis delas destinadas à venda imediata e duas já abertas.
Segundo a Polícia Civil, parte do material estava acondicionada em uma geladeira, sem qualquer garantia de que a cadeia de custódia sanitária e a temperatura de armazenamento estavam sendo respeitadas, o que compromete a eficácia e a segurança do medicamento.
Questionada sobre a origem, a conduzida afirmou que os produtos seriam trazidos ilegalmente do Paraguai, sem qualquer comprovação de procedência regular ou registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Tirzepatida e o Grave Risco à Saúde Pública
O medicamento tirzepatida (princípio ativo) é classificado como análogo do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) e é originalmente usado para o tratamento de Diabetes Mellitus tipo 2, mas tem sido crescentemente utilizado em tratamentos de obesidade devido ao seu alto poder de perda de peso. Por ser um medicamento potente e de uso injetável, ele é de venda estritamente controlada.
A comercialização desse produto sem a devida observância das normas sanitárias e fora de estabelecimentos licenciados (farmácias) configura um grave risco à saúde coletiva. O consumo de um medicamento de procedência ignorada e com armazenamento inadequado pode levar o usuário a ter reações adversas imprevisíveis, ineficácia do tratamento ou, na pior das hipóteses, complicações graves devido a um produto falsificado ou estragado.
Enquadramento Legal e Continuidade da Investigação
A Autoridade Policial ratificou a prisão em flagrante, enquadrando a mulher, em tese, nos delitos previstos no art. 273, §1º-B, I, III, V e VI do Código Penal. Este artigo trata da comercialização, exposição e depósito de produto medicinal sem observância das normas sanitárias, com procedência ignorada e fora de estabelecimento licenciado, configurando o crime de Falsificação, Corrupção, Adulteração ou Alteração de Produto Destinado a Fins Terapêuticos ou Medicinais.
Foi arbitrada fiança para a conduzida. As provas materiais (os medicamentos apreendidos, registros de conversas e vídeos da negociação) serão encaminhadas à perícia para análise. As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros envolvidos na cadeia de fornecimento e divulgação e apurar eventual crime de associação criminosa.
A Polícia Civil reitera o alerta à população: a compra de medicamentos sujeitos a prescrição fora dos canais regulares e sem receita médica é uma prática ilegal que coloca a própria vida do consumidor em perigo.
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Crédito da Imagem: PCGO