
Mabel decreta austeridade máxima e reorganiza contratos municipais: a gestão de Sandro Mabel (União Brasil) em Goiânia, iniciada em 1º de janeiro de 2025, foi marcada, logo na posse, por um cenário de crise financeira e administrativa sem precedentes, especialmente na área da Saúde.
Em resposta, o prefeito adotou um pacote de medidas imediatas e austeras, cujo resultado preliminar no primeiro quadrimestre tem apontado para um superávit orçamentário primário — o que, na prática, indica que a receita da Prefeitura superou as despesas primárias (sem contar serviço da dívida) no período.
Mesmo diante de uma crise administrativa e financeira herdada, com uma dívida de quase R$ 5 bilhões, a gestão tem procurado resgatar a confiança do goianiense na administração pública que registrou superávit de quase R$ 700 milhões.
Mabel decreta austeridade máxima e reorganiza contratos municipais
Abaixo, a reportagem detalha a situação da calamidade, o “arrocho” nos gastos e como Mabel está conseguindo reajustar as contas da capital.
“O cenário era de uma cidade totalmente destruída, a saúde estava em intervenção. Assumi um mês antes da posse, negociando com a minha credibilidade para pagar o que ficou pendente. Hoje as contas estão em dia”, afirmou Mabel.
1. O Cenário de “Calamidade Financeira”
A percepção de crise foi oficializada nos primeiros dias de janeiro de 2025. O prefeito Mabel assinou decretos que formalizavam o cenário crítico:
- Declaração de Calamidade: Foi decretado o estado de calamidade pública no âmbito da Secretaria Municipal da Fazenda e da Secretaria Municipal de Saúde.
- Dívida Elevada: O próprio prefeito citou, em avaliações públicas nos primeiros meses de gestão, uma dívida municipal na ordem de R$ 4 bilhões, classificando-a como “impagável”.
- Crise na Saúde: A principal urgência era a saúde, com o sucateamento de unidades, falta de medicamentos e atraso no pagamento de médicos e fornecedores, herança da gestão anterior.
2. O Arrocho nos Gastos: As Medidas de Austeridade
Para reverter o déficit e a desorganização financeira, Sandro Mabel implementou um plano de ajuste que se concentrou no corte de custos operacionais e na renegociação de contratos, o que é comumente chamado de “arrocho fiscal”:
- Decretos de Contenção de Despesas: Logo em 2 de janeiro, o Prefeito assinou decretos estabelecendo medidas temporárias de contenção de despesas em toda a administração, restringindo gastos discricionários.
- Reavaliação de Contratos: Foi determinada a reavaliação e renegociação de contratos e licitações em curso, visando reduzir valores ou suspender projetos que não eram essenciais no momento.
- Corte de Comissionados: Embora não se tenha o número exato dos cortes, a reavaliação da estrutura organizacional, prevista em decretos, objetivou enxugar a máquina pública e reduzir o alto custo com cargos comissionados.
3. Como o Superávit Foi Alcançado no Quadrimestre
O superávit primário registrado no primeiro quadrimestre de 2025 (janeiro a abril) é o resultado direto da agressiva política de contenção de despesas, combinada com esforços pontuais de captação de recursos:
Controle de Despesas
Redução da execução de gastos não essenciais (diárias, aluguéis, materiais de consumo e serviços de terceiros) e congelamento de novas contratações/licitações.Redução drástica da saída de caixa, estancando a sangria orçamentária.
Captação de Recursos (Saúde)
Obtenção de verba suplementar de R$ 80 milhões do Governo Federal (agradecida publicamente por Mabel), destinada a regularizar o pagamento de médicos, enfermeiros e fornecedores.Injeção imediata de caixa para resolver o passivo mais urgente (a crise da Saúde) sem depender exclusivamente do tesouro municipal.
Foco na Receita
Embora menos visível no curto prazo, a gestão sinalizou melhorias na arrecadação própria, otimizando a cobrança de impostos e taxas municipais de grandes geradores de dívidas.Aumento gradual na entrada de recursos (receita), que se soma à diminuição da saída (despesa).
Reestruturação de Empresas (COMURG)
Mabel iniciou um plano para que a Companhia Municipal de Urbanização (Comurg) atue fora de Goiânia (participando de concorrências em outros municípios), transformando um órgão que frequentemente gerava prejuízo em uma fonte potencial de receita. Mudança de modelo que alivia o Tesouro Municipal de subsidiar integralmente a empresa.
A transição de um cenário de calamidade para um superávit quadrimestral se deu pelo binômio “cortar e renegociar” (com despesas) e “regularizar e buscar apoio” (na saúde e infraestrutura). O resultado positivo demonstra que o rigor fiscal e a austeridade estão sendo, de fato, a tônica inicial da gestão de Mabel.
Crédito da Imagem: Alex Malheiros/Secom