
Pré-candidatos ao governo de Goiás traçam estratégias e testam força política: a disputa pelo Palácio das Esmeraldas em 2026 começa a ganhar contornos mais definidos em Goiás com a movimentação de quatro pré-candidatos ao governo estadual.
O vice-governador Daniel Vilela (MDB) desponta como principal nome do campo governista, sustentado pela estrutura administrativa e pela avaliação positiva do governador Ronaldo Caiado.
Em posição de enfrentamento, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) trabalha para viabilizar um retorno ao poder, enquanto o senador Wilder Morais (PL) tenta se firmar em meio a disputas internas no campo conservador.
À esquerda, o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás Edward Madureira (PT) busca reorganizar um projeto político historicamente fragilizado no estado, mas com sinais de consolidação em centros urbanos.
Pré-candidatos ao governo de Goiás traçam estratégias e testam força política
O cenário segue aberto e sujeito a rearranjos partidários, alianças nacionais e à capacidade dos adversários de explorar fragilidades do atual ciclo administrativo.
Daniel Vilela aposta na continuidade e na força do governo estadual
Vice-governador desde 2022, Daniel Vilela (MDB) se apresenta como o principal herdeiro político do atual governo. Filho do ex-governador Maguito Vilela (MDB), ele associa sua imagem à gestão de Ronaldo Caiado (PSD), que mantém elevados índices de aprovação e se tornou o principal ativo eleitoral do grupo governista.
A proximidade com o Executivo garante a Daniel capilaridade política, apoio expressivo de prefeitos e protagonismo na articulação de alianças. Seu projeto político é sustentado por uma ampla base partidária, que reúne União Brasil, Progressistas, PRD, Solidariedade, PSB, Democracia Cristã, Agir, PDT e Avante, formando um arco que vai do centro à centro-direita.
Esta ampla base de apoio partidário garante a Daniel a maior fatia do fundo eleitoral e maior tempo de propaganda eleitoral, favorecendo a dinâmica das eleições pela capacidade de apresentar dados consolidados do governo, projetos e investimentos em mobilização. O conjunto amplia o tempo de exposição eleitoral, facilita a construção de palanques regionais e reforça o discurso de governabilidade.
O argumento da continuidade administrativa encontra respaldo entre eleitores que atribuem ao atual governo avanços na Segurança Pública, com a adoção de tecnologias de inteligência artificial no enfrentamento ao crime e a redução dos indicadores de violência, além de investimentos estruturais nas forças policiais.
O discurso também se ancora em políticas sociais e educacionais, na liderança do estado em indicadores de alfabetização e desempenho no Ideb, bem como em medidas voltadas à mobilidade urbana, como a manutenção da tarifa de ônibus da Região Metropolitana em R$ 4,30 e a expansão do transporte coletivo, com o BRT e a incorporação de ônibus elétricos e investimentos em municípios no Entorno do Distrito Federal.
Segundo analistas ouvidos pelo GOYAZ, adversários políticos indicam, contudo, que o debate eleitoral deverá tensionar esse conjunto de realizações. A defesa da alternância de poder tende a ganhar centralidade, assim como críticas à condução da Taxa do Agro, à realização de licitações de alto valor sem ampla concorrência e à avaliação de que o estado ainda apresenta uma malha viária insuficiente em regiões estratégicas.
O tema fiscal também deve ocupar espaço relevante na campanha. Segundo críticos do governo, Goiás teria registrado um déficit de R$ 2,46 bilhões até agosto de 2025, mesmo após medidas de austeridade. Ainda de acordo com adversários, a dívida consolidada do estado teria passado de R$ 19,6 bilhões em 2018 para R$ 27,5 bilhões em 2024, com projeção de alcançar R$ 28,5 bilhões em 2026, argumento que deverá ser explorado como sinal de desequilíbrio estrutural nas contas públicas.
Marconi Perillo tenta retorno ao poder com foco no interior e discurso comparativo
Ex-governador por quatro mandatos, Marconi Perillo busca se reposicionar como alternativa ao grupo atualmente no comando do estado. Com forte reconhecimento de nome, sobretudo no interior, ele aposta na experiência administrativa e na defesa de um legado construído ao longo de seus governos.
Nos últimos meses, Marconi intensificou um percurso por cidades consideradas estratégicas, com atenção especial às Câmaras Municipais. A agenda tem priorizado o diálogo com vereadores, lideranças locais e setores que demonstram insatisfação com a atual gestão estadual. O ex-governador também busca atrair figuras públicas e segmentos produtivos descontentes com políticas recentes do Executivo.
Aliados indicam que Marconi deverá adotar como eixo central de sua estratégia a comparação direta entre as realizações de seus governos e as políticas implementadas pelo atual grupo no poder, sobretudo nas áreas de infraestrutura, investimentos públicos e programas sociais. Adversários políticos, por sua vez, tentarão recolocar no debate eleitoral a rejeição que já foi explorada em pleitos anteriores, apostando na retomada desse argumento como elemento de desgaste ao longo da campanha.
Wilder Morais enfrenta divisões internas e desafios de viabilização
O senador Wilder Morais tenta consolidar sua pré-candidatura pelo PL em um ambiente marcado por disputas internas e indefinições estratégicas. Alinhado ao campo conservador, ele busca atrair eleitores que rejeitam tanto a continuidade do atual governo quanto o retorno do PSDB ao comando do estado. Wilder tem a seu favor um índice de rejeição ainda relativamente baixo e um discurso alinhado ao bolsonarismo, que encontra ressonância sobretudo entre eleitores ligados ao setor agro e a segmentos conservadores do interior do estado, base que tende a oferecer sustentação inicial à sua pré-candidatura.
Wilder apareceu durante todo o período eleitoral passado nas pesquisas em terceiro e quarto lugar. Porém, no final das apurações, contradizendo todas as projeções, foi eleito senador com 25,25% dos votos válidos, correspondendo a 799.022 votos.
Ele venceu uma disputa acirrada com outros nove candidatos, superando nomes tradicionais da política goiana, como o ex-governador Marconi e o ex-deputado federal Delegado Waldir. A vitória do senador foi impulsionada por uma base expressiva de apoio em diversas cidades do estado, especialmente entre o eleitorado alinhado a pautas de direita e ao agronegócio.
Ainda assim, sua viabilidade eleitoral para 2026 depende da superação de resistências internas e da definição do papel do PL na sucessão estadual.
Edward Madureira tenta reorganizar o campo progressista
No campo da esquerda, Edward Madureira surge como principal aposta do PT para a disputa estadual. Ex-reitor da Universidade Federal de Goiás e vereador em Goiânia, ele tenta estruturar uma candidatura ancorada em pautas como educação, políticas sociais, ciência e desenvolvimento sustentável. Diferentemente de ciclos anteriores, o partido chega à pré-campanha com uma base eleitoral considerada consolidada em Goiás, especialmente na capital.
Na eleição para o governo estadual em 2022, o candidato petista Wolmir Amado obteve 6,98% dos votos válidos, somando 243.561 votos. No mesmo pleito, o então candidato à Presidência Lula alcançou 39,51% dos votos no estado no primeiro turno e 41,29% no segundo, desempenho superior ao observado na disputa local.
Já em 2024, na eleição para a Prefeitura de Goiânia, a deputada federal Adriana Accorsi (PT) registrou 24,44% dos votos válidos no primeiro turno, totalizando 168.145 votos. Os números refletem a polarização da política local e a força de diferentes blocos partidários nas cidades goianas, indicando que o PT mantém uma base consolidada em Goiânia, com desempenho proporcionalmente superior ao registrado na disputa estadual anterior.
Disputa segue aberta e sujeita a rearranjos
Segundo especialistas, a sucessão estadual permanece em aberto e sujeita a mudanças ao longo de 2026. O desempenho fiscal do estado, a pressão por alternância de poder, a reorganização das alianças partidárias e o grau de polarização ideológica tendem a influenciar o comportamento do eleitorado.
Mais do que um embate de nomes, a eleição em Goiás deve opor projetos de continuidade administrativa, tentativas de retorno político e esforços de reorganização de campos fragilizados. O desfecho dependerá da capacidade de cada pré-candidato de ampliar alianças, reduzir resistências e dialogar com um eleitorado que, até aqui, tem privilegiado estabilidade, pragmatismo e resultados concretos.