Preço da carne nos Estados Unidos bate R$ 150 o kg

Preço da carne nos Estados Unidos bate R$ 150 o kg em meio à combinação de seca histórica, tarifaço sobre o Brasil e restrições às importações do México, apontam dados recentes do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA).
Seca derruba produção e eleva custos ao consumidor
Relatórios oficiais indicam que a oferta de carne bovina será a menor em uma década. A estiagem prolongada reduziu o peso dos animais nos pastos, obrigando o USDA a cortar em 1% a projeção de produção apenas em agosto e em 4% no acumulado do ano. Essa retração já se reflete no bolso do consumidor: a carne para churrasco custa, em média, US$ 11,875 por libra, alta de 3,3% em um mês e de 9% no semestre — patamar equivalente a quase R$ 150 por quilo.
Os impactos não se limitam aos cortes nobres. A carne moída, base de hambúrgueres, avançou 3,9% só em julho e 15,3% nos últimos seis meses, alcançando US$ 6,338 por libra, aproximadamente R$ 75 o quilo. Segundo o USDA, o movimento tende a persistir enquanto as condições climáticas não melhorarem.
Tarifaço ao Brasil e restrições ao México agravam cenário
As tensões comerciais intensificam a pressão de preços. O tarifaço de 50% aplicado contra a carne brasileira já resultou em corte de quase 2% na expectativa de importação para 2025 — queda que pode chegar a 180 mil toneladas até 2026. Sem o abastecimento tradicional do Brasil, o mercado norte-americano fica mais vulnerável a oscilações internas.
Outro fator é a manutenção das barreiras sanitárias ao gado do México após a detecção da doença NWS, conhecida como bicheira do Novo Mundo. A praga é considerada letal para bovinos e oferece risco de transmissão a aves e humanos. Embora o governo dos EUA planeje uma fábrica de moscas estéreis no Texas para conter o parasita, especialistas alertam que os resultados levarão tempo, prolongando a falta de oferta.

Imagem: Youtube
Com menos carne disponível, impostos mais altos sobre o produto brasileiro e limitações ao fornecimento mexicano, analistas projetam que o preço da carne nos Estados Unidos continue em escalada nos próximos meses, configurando uma “tempestade perfeita” para consumidores e indústria.
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