
Pressão por verbas marcam início das sessões da Câmara de Goiânia: a abertura do ano legislativo na Câmara Municipal de Goiânia, na quarta-feira (25), foi marcada por protestos de servidores e pelo protocolo de um pedido de impeachment contra o prefeito Sandro Mabel, do União Brasil.
O plenário e as galerias foram tomados por apoiadores e opositores à gestão. Manifestantes da área da saúde vaiaram vereadores da base durante os discursos em defesa do Paço Municipal.
Pressão por verbas marcam início das sessões da Câmara de Goiânia
O pedido de afastamento foi apresentado pelo vereador Igor Franco, do MDB, ex-líder do governo. Ele aponta supostas irregularidades na gestão administrativa e questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos. Igor critica a gestão do prefeito após ser retirado do cargo de líder na Câmara.
O presidente da Casa, Romário Policarpo afirmou que a tramitação seguirá critérios técnicos. Segundo ele, a Procuradoria fará uma avaliação cautelosa antes de qualquer decisão da Mesa Diretora.
A ausência de Mabel (União Brasi) na sessão gerou controvérsia. Interlocutores do governo afirmaram que o prefeito cumpria agenda em São Paulo.
Sobre o impasse das emendas, o Paço Municipal informou que ampliou a focalização técnica dos repasses. A gestão declarou que não irá liberar verbas que infrinjam a legislação relacionada às emendas parlamentares.
O governo municipal ressaltou que a medida segue estritamente os critérios definidos pelo Supremo Tribunal Federal. O objetivo, segundo o Executivo, é garantir a legalidade e a transparência na aplicação do dinheiro público.
O líder do governo, Wellington Bessa, do DC, argumentou que a contenção de R$ 94,7 milhões de reais visa adequar o orçamento às normas vigentes. Policarpo, no entanto, contestou a profundidade técnica dos vetos aplicados.
Uma reunião entre vereadores e técnicos da prefeitura deve ocorrer nesta quinta-feira (26). O objetivo é resolver os impasses sobre a liberação de verbas para instituições como a Universidade Federal de Goiás.
A primeira sessão ordinária de 2026 em Goiânia sinaliza um período de nstabilidade na relação entre o Executivo e o Legislativo. A estratégia da oposição em pautar a crise na saúde e o uso de recursos públicos utiliza temas de apelo popular para pressionar os parlamentares indecisos em um ano de cobranças eleitorais.
No centro da disputa financeira estão os R$ 94,7 milhões em emendas vetadas, um mecanismo de pressão que o Paço utiliza para manter o controle político, mas que gera revolta direta nos redutos eleitorais dos vereadores.
A fundamentação técnica baseada em decisões do STF e do TCM serve como blindagem jurídica para o prefeito, embora o custo político dessa decisão apareça no esvaziamento do apoio em votações estratégicas.
A decisão do Paço de ampliar a fiscalização e barrar verbas que ferem a legislação reforça o discurso de austeridade, mas tenciona a base aliada.
O papel de Romário Policarpo será o de fiel da balança, controlando o ritmo da análise do impeachment enquanto negocia a liberação das verbas parlamentares.