Lewandowski na ONU explicará decisões do STF sobre Bolsonaro

Lewandowski na ONU é o foco da missão que levou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) pretende atuar como interlocutor entre o Judiciário brasileiro e diplomatas estrangeiros que levantam dúvidas sobre a condenação de Jair Bolsonaro e aliados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
Integrantes do Palácio do Planalto consideram a presença de Lewandowski na comitiva “estratégica” para evitar ruídos internacionais, especialmente diante das sinalizações de que Washington pode impor novas sanções a autoridades que participaram do julgamento.
Lewandowski na ONU explicará decisões do STF sobre Bolsonaro
Aliados do ministro relatam que ele “mira ser a ponte” capaz de esclarecer, em detalhes, a tramitação do processo no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ainda assim, reconhecem que “não há sinal de que o lado de lá está disposto” a recuar das pressões. Pelo “lado de lá”, citam diretamente os Estados Unidos, que monitoram de perto as ações do Judiciário brasileiro.
Lewandowski deixou o STF em abril de 2023, após 17 anos na Corte, onde foi decano e presidente. Em janeiro deste ano, aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chefiar o Ministério da Justiça, logo depois da indicação de Flávio Dino ao STF. Sua principal incumbência interna é destravar a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, de sua autoria, que amplia a integração entre polícias estaduais e federal, mas permanece parada desde abril.
A agenda em Nova Iorque inclui reuniões paralelas com enviados europeus e com técnicos da Organização das Nações Unidas, onde o ministro pretende apresentar documentos sobre o processo que levou à inelegibilidade e posterior condenação de Bolsonaro. O governo acredita que a transparência jurídica pode conter críticas e, ao mesmo tempo, reforçar a narrativa de que o Brasil agiu dentro dos limites constitucionais.
Nos bastidores, diplomatas brasileiros admitem preocupação com eventuais repercussões econômicas caso as sanções se concretizem. Mesmo assim, avaliam que o histórico de Lewandowski, conhecido pela postura dialogal no STF, pode suavizar o terreno. “Ele conhece como poucos cada etapa do julgamento e tem autoridade para explicar”, resume um assessor.
Por ora, o Itamaraty mantém a posição de que o tema é “estritamente jurídico” e não deve contaminar as relações bilaterais. Ainda assim, o ministério acompanha de perto os desdobramentos, numa articulação que soma esforços de Justiça, Defesa e Relações Exteriores.
No Brasil, a expectativa é de que o retorno de Lewandowski traga insumos para rebater eventuais críticas externas e, internamente, fortaleça o projeto de reestruturação da segurança pública.
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Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil