Romaria do Muquém 2026 terá 15 dias de celebrações no Norte de Goiás
Tradicional manifestação religiosa reúne milhares de fiéis em Niquelândia e reforça o turismo de fé no estado

Todos os anos, milhares de romeiros percorrem rodovias, estradas de terra e trilhas rumo ao distrito de Muquém, em Niquelândia, no Norte de Goiás. Em 2026, a Romaria de Nossa Senhora D’Abadia será realizada entre 2 e 16 de agosto e deve repetir a mobilização que a consolidou como uma das maiores manifestações religiosas do estado.
A celebração reúne fiéis de diversas regiões goianas, do Distrito Federal e de outros estados, que se deslocam a pé, a cavalo, de bicicleta ou em caravanas organizadas por paróquias. O fluxo intenso transforma a paisagem do pequeno povoado e impacta diretamente a economia local, com aumento na procura por hospedagem, alimentação e comércio informal.
Com o tema “O Verbo se fez carne e veio habitar entre nós” e o lema “Quem acolhe o Verbo, faz da vida um Santuário”, a edição de 2026 propõe reflexão centrada na espiritualidade cristã. A programação começa no dia 2 de agosto com a entronização da imagem de Nossa Senhora D’Abadia e uma carreata até Niquelândia, marcando simbolicamente o início do período festivo.
A abertura oficial ocorre em 5 de agosto, com missa presidida pelo bispo da Diocese de Uruaçu, Dom Giovani, seguida de peregrinação até o Santuário do Muquém. A partir daí, o calendário se estende por duas semanas com missas diárias, novenas, procissões penitenciais, momentos de adoração e celebrações conduzidas por bispos convidados de diferentes dioceses brasileiras.
Entre os ritos mais aguardados está o 17º Cerco de Jericó, realizado de 7 a 14 de agosto, prática devocional marcada por oração contínua e forte participação popular. A tradicional subida ao Morro da Cruz também integra o roteiro dos romeiros e mantém viva uma das imagens mais simbólicas da romaria, com fiéis reunidos ao amanhecer.
A 37ª Vigília Carismática, promovida pela Renovação Carismática Católica, deve reunir milhares de participantes em uma noite dedicada a louvor e pregação. O encontro costuma atrair grupos organizados de jovens e famílias inteiras, ampliando o perfil do público presente.
Além das celebrações litúrgicas, a romaria incorpora manifestações culturais que atravessam gerações, como cavalgadas, comitivas de tropeiros, grupos de foliões e romarias ciclísticas. A presença de escoteiros e peregrinações temáticas demonstra a diversidade de expressões de fé que convergem para o santuário.
Uma novidade institucional marca a edição deste ano, com a transferência simbólica da capital do estado para Muquém no dia 15 de agosto, data dedicada à padroeira. A medida reconhece o peso histórico e cultural da romaria no calendário goiano e reforça o protagonismo do distrito durante o período festivo.
O dia 15 concentra o ponto alto da programação, com alvorada festiva, missas solenes, batizados, casamentos e procissão luminosa no fim da tarde. A celebração principal será novamente presidida por Dom Giovani e deve reunir autoridades religiosas e grande público na área do santuário.
No dia seguinte, a Missa de Despedida dos Romeiros encerra oficialmente a edição de 2026 e marca o retorno das caravanas às suas cidades de origem. Para muitos participantes, a romaria representa tradição familiar e promessa cumprida, o que explica a presença recorrente de devotos ao longo de décadas.
Paralelamente às atividades religiosas, a Feira da Agricultura Familiar funcionará de 5 a 15 de agosto na área comercial do distrito. Produtores da região ofertam alimentos, doces caseiros, artesanato e itens típicos do interior goiano, ampliando a circulação de renda e valorizando saberes locais.
Ao longo dos anos, a Romaria do Muquém consolidou-se como expressão de identidade cultural e religiosa do Norte goiano. A expectativa para 2026 é de mais uma edição marcada por forte adesão popular, intensa movimentação urbana e reafirmação de um dos mais tradicionais encontros de fé do Centro-Oeste.