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Atraso na LDO cria efeito dominó e coloca LOA em situação crítica

Tramitação simultânea de LDO e LOA, considerada atípica, escancara falhas na coordenação e ameaça cumprimento do prazo legal

Atraso na LDO cria efeito dominó e coloca LOA em situação crítica: a poucos dias do encerramento do ano legislativo, a Câmara Municipal de Goiânia ainda não avançou na votação dos dois projetos que estruturam o orçamento da capital — a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA). O atraso, que já compromete o calendário, expõe falhas na articulação do Executivo e uma relação cada vez mais tensa com o Legislativo.

Atraso na LDO cria efeito dominó e coloca LOA em situação crítica

A LDO teve sua tramitação reiniciada depois que o prefeito Sandro Mabel (União Brasil) decidiu recolher o projeto no fim de setembro, quando ele já estava em análise na Comissão Mista. O ato, considerado incomum por vereadores experientes, forçou o reinício de todo o rito, incluindo prazos de emendas e duas audiências públicas obrigatórias, previstas apenas para os dias 1º e 2 de dezembro. Isso empurrou a discussão final para um período já considerado crítico.

Relator da matéria, o vereador Lucas Vergílio (MDB) afirma que “o prazo apertado” se deve exclusivamente à retirada do texto pelo Executivo, e destaca que o Parlamento seguirá rigorosamente o regimento. Ele também criticou a falta de diálogo do Paço e revelou que, nas audiências da primeira versão da LDO, apenas servidores de escalões inferiores compareceram.

A LOA, entregue à Câmara no limite do prazo legal, passou a tramitar simultaneamente à LDO — situação considerada atípica, já que o orçamento anual deve necessariamente seguir as diretrizes aprovadas previamente.

Análise política: desgaste, disputa e falta de coordenação

O impasse na votação do orçamento de Goiânia vai além da burocracia e evidencia um quadro político delicado. O primeiro ano da gestão Mabel tem sido marcado por falhas de articulação, e a retirada da LDO sem negociação prévia aumentou o distanciamento entre Paço e Câmara.

Ao longo das últimas semanas, o Legislativo tem adotado postura mais independente, expondo publicamente seu desconforto com a condução da pauta orçamentária. Para analistas, o episódio é um sinal de que a base governista ainda não está consolidada e de que a Câmara tenta afirmar protagonismo frente ao Executivo.

A falta de alinhamento ocorre justamente em um momento sensível: o orçamento é a principal ferramenta de gestão e também a chave para o prefeito apresentar resultados concretos no segundo ano de mandato. Caso o projeto não seja aprovado até 31 de dezembro, a Prefeitura só poderá executar mensalmente até 1/12 do orçamento anterior, operando pelo regime de duodécimos — o que limita obras, compromete ações planejadas e gera desgaste político imediato.

Para vereadores, a responsabilidade pelo atraso recai sobre o Paço. Para integrantes do Executivo, a Câmara estaria alongando a discussão para pressionar a gestão. Enquanto a disputa se prolonga, aumenta o risco de Goiânia começar 2026 com orçamento provisório e sob clima de instabilidade política.

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Crédito da Imagem: Arquivo com melhoramento IA

Redação GOYAZ

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