STF julga seis réus da trama golpista e pode condená-los

STF condenação trama golpista volta ao centro do noticiário com o julgamento de seis integrantes do núcleo 2 da tentativa de golpe de Estado atribuída ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Primeira Turma retomou a sessão na manhã desta terça-feira e, após pausa para o almoço às 14h, prossegue ouvindo as sustentações das defesas. Os ministros analisam a responsabilidade de Filipe Martins, Marcelo Câmara, Silvinei Vasques, general Mário Fernandes, Marília de Alencar e Fernando de Sousa Oliveira.
STF julga seis réus da trama golpista e pode condená-los
Os réus respondem por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Pela manhã, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a condenação de todos. Até agora, já se manifestaram as defesas de Filipe Martins e Fernando de Sousa Oliveira; o advogado de Marcelo Câmara é o próximo a falar.
Segundo a acusação, o chamado núcleo 2 atuou no planejamento e na logística das ações golpistas que culminaram nos atos de 8 de janeiro de 2023. A Procuradoria aponta que, sem a participação desses seis nomes, não seria possível executar a ofensiva contra as sedes dos Três Poderes.
Desde setembro de 2023, o Supremo já condenou 24 pessoas ligadas aos núcleos 1, 3 e 4. O núcleo 5, que tem como único réu Paulo Figueiredo (neto do ex-presidente João Figueiredo), ainda não tem data para ir a julgamento, pois ele reside nos Estados Unidos.
Entre os seis réus agora sob análise, chama a atenção a presença de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, acusado de mobilizar agentes da corporação para restringir votos no segundo turno de 2022, e de Filipe Martins, ex-assessor internacional de Bolsonaro, apontado como elo entre o Palácio do Planalto e militares simpatizantes do golpe.
Se o placar confirmar a tendência sugerida pelo parecer do Ministério Público, a Corte ampliará para 30 o número de condenados pela trama golpista, reforçando o entendimento de que houve divisão de tarefas e comando unificado.
O julgamento prossegue nesta tarde, sem previsão de término. A decisão depende do voto dos ministros Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e do relator Alexandre de Moraes.
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Marcello Casal Jr/ Agência Brasil