Política

Tarifa zero em BH ameaça 55 mil empregos, diz Fiemg

Tarifa zero em BH pode provocar fortes abalos no mercado de trabalho da capital mineira, segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). A entidade calcula que a proposta de gratuidade no transporte público, em análise na Câmara Municipal, eliminaria até 55.340 empregos formais.

O projeto de lei, que deve ser votado em dois turnos nesta sexta-feira (3), transformaria Belo Horizonte na primeira capital brasileira sem cobrança direta ao passageiro nos ônibus. Para custear o sistema, o texto prevê a criação de uma taxa de R$ 168,82 por funcionário para empresas com dez ou mais empregados.

Tarifa zero em BH ameaça 55 mil empregos, diz Fiemg

De acordo com a Fiemg, a cobrança transferiria o ônus do transporte coletivo para o setor produtivo, mesmo que os trabalhadores de uma companhia não utilizem o serviço. A federação estima retração de até R$ 3,1 bilhões no faturamento empresarial, redução de R$ 1,1 bilhão na massa salarial e perda de R$ 398 milhões em arrecadação de impostos. O Produto Interno Bruto (PIB) municipal poderia cair 2,1%, enquanto a inflação local subiria 3%.

O levantamento classifica a chamada “taxa às empresas” como inconstitucional. A entidade argumenta que o transporte público é facultativo e, portanto, não poderia ser financiado compulsoriamente por quem não faz uso direto do serviço. Trecho do documento afirma que o modelo “faz com que as empresas passem a financiar um serviço de caráter universal, que não beneficia exclusivamente seus trabalhadores, mas toda a população”.

Impacto setorial e trâmite político

A federação alerta que setores intensivos em mão de obra, como comércio e serviços, seriam os mais afetados. Uma empresa com 11 funcionários, por exemplo, pagaria R$ 337,64 mensais; com 50 empregados, a taxa subiria para R$ 8.441,00. Caso o texto receba o mínimo de 28 votos favoráveis dos 41 vereadores, seguirá para sanção ou veto do prefeito Álvaro Damião (União).

Especialistas ouvidos pela imprensa nacional indicam que outros municípios acompanham a discussão em BH como possível modelo de financiamento do transporte público.

O debate ganha relevância em meio à busca por soluções para o sistema de ônibus, pressionado pela queda de passageiros desde a pandemia e pelo aumento dos custos operacionais.

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Crédito da imagem: Divulgação

Redação GOYAZ

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