COP30 em Belém reúne 195 países e defende ação climática

COP30 em Belém teve início nesta segunda-feira (10) com 47 mil delegados de 195 países, incluindo 1,6 mil representantes indígenas, colocando a capital paraense no centro das discussões sobre a crise do clima.
No discurso de abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou uma transição rápida para economias de baixo carbono, atacou o negacionismo científico e sugeriu a criação de um Conselho Mundial do Clima vinculado à Assembleia-Geral da ONU.
COP30 em Belém reúne 195 países e defende ação climática
Lula ressaltou que eventos extremos recentes — como ciclones no Sul do Brasil e tufões que atingiram as Filipinas — evidenciam a urgência de medidas concretas. Para o presidente, a emergência climática “aprofundou a lógica perversa que define quem vive e quem morre”, exigindo “governança global robusta” e financiamento adequado para adaptação e mitigação.
Governança global e justiça climática
Ao destacar as contribuições históricas do Norte global para as emissões, Lula defendeu que a transição deve reduzir desigualdades e priorizar mulheres, afrodescendentes, migrantes e outros grupos vulneráveis. Ele também enfatizou o papel das áreas indígenas, que ocupam mais de 13 % do território brasileiro, na preservação das florestas e na regulação de carbono.
O chefe do Executivo brasileiro voltou a pedir metas nacionais (NDCs) mais ambiciosas, transferência de tecnologia e financiamento anual de US$ 1,3 trilhão para os países em desenvolvimento. Segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), combustíveis fósseis respondem por 75 % do aquecimento global, tornando urgente o “mapa do caminho” proposto por Lula para superar a dependência desses recursos.
Primeira Conferência das Partes realizada na Amazônia, a COP30 procura recolocar o tema climático entre as prioridades internacionais. O evento prossegue até 21 de novembro, com negociações que podem atualizar o Acordo de Paris e definir novos compromissos de descarbonização.
No improviso, Lula agradeceu o povo paraense, elogiou a culinária local e comparou os custos da crise climática aos gastos militares globais, que superam US$ 2 trilhões anuais.
Com debates intensos e metas em jogo, Belém deve se tornar palco decisivo para o andamento da agenda ambiental e para a consolidação do protagonismo brasileiro no tema.
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Foto: reprodução / redes sociais