Política

PF investiga influenciadores contratados por banco privado

Depoimentos e documentos indicam oferta de pagamentos altos a perfis digitais para defesa de interesses de instituição financeira. A apuração busca vínculos entre intermediários e a origem dos recursos.

A Polícia Federal intensificou a apuração sobre contratações de influenciadores digitais para promover narrativas favoráveis a um banco privado e criticar medidas do Banco Central. Depoimentos de criadores consultados por agências e documentos colhidos pela corporação detalham abordagens comerciais e pagamento de valores elevados que teriam sido oferecidos para difundir conteúdo alinhado.

Entre os relatos ouvidos figura o do vereador de Erechim que informou ter sido contatado por representantes que propuseram trabalho de gestão reputacional vinculado a campanhas online. Segundo o depoimento, o nome do empresário associado ao banco foi mencionado apenas em reunião virtual e os interlocutores indicaram a existência de contratos com valores de monta considerada elevada.

A investigação identificou empresas e representantes que teriam atuado na intermediação dessas contratações e essas conexões constam nos documentos analisados pela autoridade policial. Entre os nomes citados pelas fontes aparecem agências e agentes apontados como responsáveis por propor acordos a influenciadores em campanhas que coincidiram com a sequência de publicações investigadas.

Durante a apuração a Polícia Federal estabeleceu uma linha do tempo que situou a circulação de mensagens críticas ao Banco Central entre dezembro e janeiro do ano passado para este ano. A apuração aponta ao menos quarenta perfis que publicaram conteúdos com narrativa semelhante e que podem ter recebido proposta comercial vinculada ao chamado Projeto identificado pelas iniciais do principal interessado.

A análise dos materiais destaca padrões de argumentação em que se afirmava que a liquidação do banco geraria prejuízos a correntistas e que procedimentos regulatórios teriam ocorrido com precipitação. Os posts compartilham tom e formato recorrentes com alegações sobre prazo e impacto da intervenção regulatória que coincidem com as mensagens apontadas pela investigação policial.

As próximas diligências previstas incluem a tomada de depoimentos de contratantes e de representantes que negociaram os pagamentos para esclarecer a origem dos recursos e os objetivos de cada ação. Também está prevista a análise de documentos contábeis e bancários para rastrear transferências e contratos que possam demonstrar vínculos diretos entre o banco interessado e os agentes envolvidos nas campanhas.

Em resposta formal a representantes mencionados, uma das empresas consultadas afirmou em ocasião anterior não ter contrato com o banco, segundo registro protocolado pela defesa. Um dos empresários apontados como intermediário não retornou aos pedidos de esclarecimento enviados à sua assessoria e o expediente permanece aberto conforme informou a autoridade responsável pela investigação.

A investigação busca determinar se houve emprego de recursos e de estruturas comerciais para influenciar a opinião pública sobre temas regulatórios com potencial impacto no sistema financeiro. Os resultados poderão subsidiar medidas administrativas e eventuais encaminhamentos judiciais, e as conclusões serão examinadas pelas autoridades com base nas provas reunidas ao término das diligências.

A apuração refere-se a contratações vinculadas ao Banco Master e a um suposto Projeto identificado pelas iniciais do empresário apontado como interessado na defesa da instituição. As autoridades procuram esclarecer se houve coordenação entre contratantes e beneficiários das campanhas e se pagamentos foram realizados com o objetivo de moldar percepção pública sobre decisões regulatórias.

Redação GOYAZ

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