PF investiga influenciadores contratados por banco privado
Depoimentos e documentos indicam oferta de pagamentos altos a perfis digitais para defesa de interesses de instituição financeira. A apuração busca vínculos entre intermediários e a origem dos recursos.
![A PF (Polícia Federal) avançou no inquérito que investiga contratação de influenciadores digitais e páginas de celebridades para defender o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e atacar o Banco Central.nDepoimentos de quem foi procurado por agências embasam a investigação e narram a abordagem em detalhes.nUm dos interrogatórios é do vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL), que tem 2 milhões de seguidores no Instagram. O depoimento dele foi em 12 de fevereiro. À PF, ele disse que foi procurado por André Salvador [da empresa UNLTD] com uma proposta de trabalho na área reputacional e de gestão de crise.nnSegundo Rony Gabriel, o nome de Vorcaro só foi revelado quando fizeram uma reunião virtual, pelo Google Meet, para tratar do assunto.n“Não entraram na quantia. Apenas deixaram claro que se tratava de valores milionários”, disse aos investigadores, por videoconferência.nProcurada, a UNLTD Brasil afirmou em ocasião anterior “não ter contrato com o Banco Master”.nEsse inquérito foi aberto no fim de janeiro pela PF. Como mostrou a CNN no dia 9 daquele mês, a PF traçou uma linha do tempo em relação a publicações de influenciadores digitais contra o BC entre 9 de dezembro do ano passado e 6 de janeiro deste ano e identificou ao menos 40 perfis que podem ter sido contratados no chamado “Projeto DV”, em referência às iniciais de Daniel Vorcaro, para defender seu banco, o Master.nOs perfis são de influenciadores das mais variadas áreas, como entretenimento, celebridades e um ou outro de finanças.nOs conteúdos, quase todos com o mesmo tom e formato, têm os discursos de que “pessoas comuns serão prejudicadas com o ‘desmoronamento’ do Master”, que havia “indícios de precipitação na liquidação do Master” [pelo Banco Central] e que “o banco foi liquidado em tempo considerado incomum”.nA investigação da PF já sabe que os responsáveis por procurar os influenciadores foram a agência Mithi, do empresário Thiago Miranda, e também por André Salvador, representante da empresa UNLTD, citado pelo vereador no depoimento. Procurado pela CNN, Thiago Miranda não respondeu à reportagem. O espaço segue aberto.nOs próximos passos da PF são interrogar os contratantes, para que expliquem os objetivos das contratações e de onde saía o dinheiro investido no “Projeto DV”.nhttps://www.youtube.com/watch?v=DgfxUGJIKmI](https://goyaz.com.br/wp-content/uploads/2026/03/tagreuterscom2025binary-lynxnpel9c0gw-baseimage-e1773673988774-780x451.jpg)
A Polícia Federal intensificou a apuração sobre contratações de influenciadores digitais para promover narrativas favoráveis a um banco privado e criticar medidas do Banco Central. Depoimentos de criadores consultados por agências e documentos colhidos pela corporação detalham abordagens comerciais e pagamento de valores elevados que teriam sido oferecidos para difundir conteúdo alinhado.
Entre os relatos ouvidos figura o do vereador de Erechim que informou ter sido contatado por representantes que propuseram trabalho de gestão reputacional vinculado a campanhas online. Segundo o depoimento, o nome do empresário associado ao banco foi mencionado apenas em reunião virtual e os interlocutores indicaram a existência de contratos com valores de monta considerada elevada.
A investigação identificou empresas e representantes que teriam atuado na intermediação dessas contratações e essas conexões constam nos documentos analisados pela autoridade policial. Entre os nomes citados pelas fontes aparecem agências e agentes apontados como responsáveis por propor acordos a influenciadores em campanhas que coincidiram com a sequência de publicações investigadas.
Durante a apuração a Polícia Federal estabeleceu uma linha do tempo que situou a circulação de mensagens críticas ao Banco Central entre dezembro e janeiro do ano passado para este ano. A apuração aponta ao menos quarenta perfis que publicaram conteúdos com narrativa semelhante e que podem ter recebido proposta comercial vinculada ao chamado Projeto identificado pelas iniciais do principal interessado.
A análise dos materiais destaca padrões de argumentação em que se afirmava que a liquidação do banco geraria prejuízos a correntistas e que procedimentos regulatórios teriam ocorrido com precipitação. Os posts compartilham tom e formato recorrentes com alegações sobre prazo e impacto da intervenção regulatória que coincidem com as mensagens apontadas pela investigação policial.
As próximas diligências previstas incluem a tomada de depoimentos de contratantes e de representantes que negociaram os pagamentos para esclarecer a origem dos recursos e os objetivos de cada ação. Também está prevista a análise de documentos contábeis e bancários para rastrear transferências e contratos que possam demonstrar vínculos diretos entre o banco interessado e os agentes envolvidos nas campanhas.
Em resposta formal a representantes mencionados, uma das empresas consultadas afirmou em ocasião anterior não ter contrato com o banco, segundo registro protocolado pela defesa. Um dos empresários apontados como intermediário não retornou aos pedidos de esclarecimento enviados à sua assessoria e o expediente permanece aberto conforme informou a autoridade responsável pela investigação.
A investigação busca determinar se houve emprego de recursos e de estruturas comerciais para influenciar a opinião pública sobre temas regulatórios com potencial impacto no sistema financeiro. Os resultados poderão subsidiar medidas administrativas e eventuais encaminhamentos judiciais, e as conclusões serão examinadas pelas autoridades com base nas provas reunidas ao término das diligências.
A apuração refere-se a contratações vinculadas ao Banco Master e a um suposto Projeto identificado pelas iniciais do empresário apontado como interessado na defesa da instituição. As autoridades procuram esclarecer se houve coordenação entre contratantes e beneficiários das campanhas e se pagamentos foram realizados com o objetivo de moldar percepção pública sobre decisões regulatórias.