Esporte

Flamengo pede ao governo reconhecimento da torcida como patrimônio

Documento foi protocolado no órgão federal e será avaliado por comissões técnicas que analisarão documentação e propostas de salvaguarda cultural.

O Clube de Regatas do Flamengo protocolou junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional um pedido para reconhecer a Nação Rubro Negra como patrimônio cultural imaterial. O documento foi entregue na sede do clube na Gávea por um representante ligado à história da agremiação durante ato formal que ampliou a discussão sobre manifestações culturais associadas ao futebol.

A entrega ocorreu com a participação do ex jogador Zico que conduziu o protocolo até a presidência do órgão responsável pela política de preservação cultural. O presidente do instituto registrou o recebimento e afirmou que a iniciativa abre espaço para avaliar formas de incluir práticas sociais vinculadas ao futebol no registro de patrimônio imaterial.

Leandro Grass destacou que o pedido suscita a necessidade de debater critérios técnicos e legais para reconhecer expressões coletivas que se consolidaram em torno de clubes e torcidas. Segundo a direção técnica, o processo deverá considerar documentação, memória social, práticas rituais e mecanismos de preservação que garantam a transmissão intergeracional dessas manifestações culturais.

Ao entregar a proposta, o ex atleta resumiu a dimensão simbólica do torcedor afirmando que a coletividade ultrapassa fronteiras geográficas e reúne milhões de pessoas em identificação comum. Ele ressaltou que o reconhecimento oficial pode reforçar a preservação de práticas festivas, linguagens e memórias compartilhadas entre diferentes gerações de adeptos do clube.

Paralelamente ao protocolo, o clube mantém uma campanha pública que já juntou centenas de milhares de apoios por meio de uma petição digital dirigida a organismos internacionais. Até o momento a iniciativa reporta cerca de 600 mil assinaturas e a meta anunciada pela diretoria é alcançar o montante de 1 milhão de apoiadores como demonstração de legitimidade social.

O movimento também prevê buscar reconhecimento em instâncias internacionais da Organização das Nações Unidas para classificar a torcida como uma forma singular de identidade simbólico cultural. Os representantes do clube destacam que uma validação internacional poderia contribuir para medidas de salvaguarda e para o reconhecimento do futebol como vetor de expressão cultural coletiva.

Pelas regras do instituto, pedidos de registro de patrimônio imaterial passam por fases de análise técnica, consulta pública e deliberação em colegiado que pondera aspectos jurídicos e culturais. O prazo para conclusão do processo não é uniforme e dependerá da complexidade da documentação apresentada, da necessidade de estudos complementares e da amplitude dos debates com setores da sociedade.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o registro de práticas relacionadas ao esporte pode abrir precedentes para reconhecer outras manifestações coletivas que se organizam em torno de eventos esportivos. Eles acrescentam que critérios de universalidade, historicidade e contribuição para diversidade cultural serão avaliados na definição de políticas públicas de preservação imaterial.

A proposta suscitou reações em diferentes setores do campo cultural e esportivo, com manifestações públicas favoráveis e questionamentos sobre mérito técnico do pedido. Representantes de movimentos culturais ressaltam a importância de critérios objetivos e de processos participativos para evitar politização de decisões que impactam a memória coletiva.

A diretoria do clube apresenta documentos, registros iconográficos e relatos orais como parte do dossiê que pretende demonstrar o alcance sociocultural da comunidade de torcedores. O material inclui registros de rituais de apoio, canções, símbolos e práticas de encontro que, segundo os proponentes, compõem um patrimônio de memória coletiva.

Caso o registro seja aprovado, medidas de salvaguarda poderão ser propostas para documentar, preservar e difundir elementos imateriais associados à torcida, com apoio de políticas públicas. Os proponentes afirmam que essas ações podem reforçar iniciativas educativas e de pesquisa que valorizem experiências culturais vinculadas ao esporte em diferentes regiões do país.

Críticos argumentam que a oficialização de torcidas como patrimônio cultural pode confluir com interesses simbólicos e comerciais, o que exige análise rigorosa dos critérios adotados para registro. Especialistas em patrimônio chamam atenção para a necessidade de distinguir entre manifestações de caráter popular e estratégias institucionais que busquem validação simbólica sem base documental consistente.

O processo de análise seguirá trâmites internos do instituto, incluindo levantamento técnico e diálogo com representantes do clube e de setores sociais relacionados às práticas propostas para registro. Não há prazo definido para a conclusão, e as decisões dependerão da complexidade dos estudos necessários e da capacidade de atender requisitos técnicos estabelecidos para proteção imaterial.

A iniciativa renovou o debate sobre a relação entre esporte, memória e políticas culturais, ao colocar em pauta a forma como atores sociais são reconhecidos em espaços institucionais. O desdobramento do pedido no órgão federal será acompanhado por observadores do campo cultural, por entidades de pesquisa e por segmentos da sociedade interessados na preservação de patrimônios imateriais.

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Redação GOYAZ

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