Vice de Tarcísio gera disputa entre PL e Centrão

Vice de Tarcísio é o ponto central de uma divergência crescente entre Partido Liberal (PL) e Centrão sobre quando e como lançar a candidatura presidencial de 2026.
Lideranças próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro defendem que a troca de bastão só ocorra após fevereiro de 2025, mantendo vivo o discurso de reversão da inelegibilidade dele no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já caciques do União Brasil e do PP cobram definição até dezembro deste ano, receosos de que o atraso paralise alianças regionais.
Vice de Tarcísio gera disputa entre PL e Centrão
No encontro de três horas realizado em Brasília, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Bolsonaro concordaram que antecipar o anúncio não favorece nenhum dos dois. Bolsonaro teme diluir seu capital político, enquanto o governador paulista evitaria virar alvo precoce de adversários e críticas por supostamente negligenciar São Paulo.
Nesse cenário, fontes do PL calculam que, em 45 dias de campanha intensa em redes sociais e televisão, Bolsonaro transferiria seus votos fiéis a Tarcísio, que buscaria conquistar o eleitorado de centro antipetista. A hipótese preferida pelo entorno bolsonarista prevê Michelle Bolsonaro (PL) como companheira de chapa, reforçando a identidade conservadora da campanha.
O Centrão, porém, avalia que um vice sem o sobrenome Bolsonaro reduziria rejeição e esvaziaria a estratégia de polarização planejada pelo PT. Dirigentes do bloco não descartam apoiar o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), caso o impasse persista. Para esses líderes, as negativas de Tarcísio seriam apenas um recuo tático, mas o prolongamento da indefinição aumenta a apreensão nos estados.
Enquanto isso, Tarcísio intensifica a agenda de obras e projetos em São Paulo, na tentativa de consolidar sua imagem de gestor e construir vantagem expressiva no maior colégio eleitoral do país. A meta é compensar a força histórica do presidente Lula no Nordeste e chegar a 2026 com base robusta.
No pano de fundo, permanece a convicção bolsonarista de que somente duas figuras poderiam derrotar Lula: o próprio ex-presidente ou o atual governador paulista. Fora desse radar eleitoral, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não é cogitado nem pelo clã, nem pelo partido, tampouco pelo Centrão.
A disputa sobre o “timing” e o possível vice deixa claro que, além de nomes, a oposição debate a estratégia para enfrentar o Planalto. Se o consenso não surgir nos próximos meses, o bloco pode buscar alternativas capazes de reunir centro e direita sem depender exclusivamente do legado bolsonarista.
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