Política

Polícia Federal investiga fraudes em contratos da Prefeitura do Recife com empresa terceirizada

As apurações, iniciadas em 2026 a partir de apreensões relacionadas a outra operação, apontam repasses de R$ 25,8 milhões em 2020, dos quais R$ 17 milhões teriam origem federal.

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram operação denominada Check-in, nesta terça-feira (2), para apurar suposto esquema de corrupção envolvendo servidores e fraudes em licitações no Recife. As investigações referem-se a contratos firmados em 2020 e foram ampliadas em 2026 a partir de elementos apreendidos em outra ação que tratou de irregularidades em Pernambuco.

A PF informa que a investigação teve origem em apreensão de canhotos de cheques no âmbito de uma operação anterior chamada Firenze, realizada no ano de 2025 em Pernambuco. Essa apuração anterior tratou de possíveis irregularidades em contratos de terceirização de mão de obra no município de Timbaúba e suscitou diligências complementares pela CGU e pela Polícia Federal.

No caso do Recife, a Polícia Federal aponta pagamentos de propina a um agente público municipal por parte de empresa contratada para serviços terceirizados de pessoal. A PF apura que os recursos desviados teriam sido incluídos em faturas e repasses relativos a contratos vigentes no exercício de 2020 e possivelmente em exercícios anteriores.

Apurações preliminares indicam que os pagamentos efetuados pela Prefeitura do Recife à empresa investigada em 2020 somaram cerca de R$ 25,8 milhões, conforme documentação analisada pela investigação. Do total identificado, aproximadamente R$ 17 milhões teriam origem em repasses federais, o que eleva o potencial impacto sobre recursos públicos de âmbito nacional e municipal.

Investigadores destacam que a empresa mantinha contratos com a prefeitura em exercícios anteriores a 2020, situação que pode ampliar o prejuízo aos cofres públicos caso novas irregularidades sejam confirmadas. A análise documental e as quebras de sigilo financeiro previstas no inquérito buscam identificar o montante efetivamente desviado e a eventual participação de outros agentes públicos e privados.

Durante a operação Check-in, 32 policiais federais e dois auditores da Controladoria-Geral da União cumpriram oito mandados de busca e apreensão em endereços nos municípios de Recife, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho. As diligências tiveram caráter repressivo e visaram apreender documentos, mídias eletrônicas e registros contábeis capazes de corroborar as suspeitas levantadas pela equipe de investigação.

Os investigados podem responder por crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, fraude em licitação ou em contrato e lavagem de capitais, conforme apuração inicial dos órgãos responsáveis. O inquérito também prevê a tomada de depoimentos, a solicitação de informações bancárias e a avaliação de vínculos societários entre empresas e pessoas físicas envolvidas nas contratações investigadas.

Em nota, a Prefeitura do Recife afirmou que não é alvo da operação e que as medidas dizem respeito a contratos firmados em 2020 por empresa terceirizada que atuou no município. O Executivo municipal declarou que permanece à disposição dos órgãos de controle e que prestará as informações necessárias para o avanço das investigações sobre as possíveis irregularidades apontadas.

A participação de recursos federais em parte dos repasses reforça a competência de órgãos de controle nacional para exigir transparência e eventual responsabilização administrativa e penal dos envolvidos. O caso segue em fase de coleta de provas e eventuais medidas cautelares poderão ser requeridas pela autoridade policial e pelos auditores da Controladoria-Geral da União no curso do inquérito.

A investigação poderá ser ampliada conforme a identificação de novos elementos probatórios e a manifestação do Ministério Público Federal sobre eventual propositura de ações penais e ressarcimento aos cofres públicos. A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União mantêm o sigilo de investigações, e informações adicionais serão divulgadas à medida que diligências e medidas judiciais forem formalizadas.

Redação GOYAZ

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