Receita recorde e tensão política marcam prestação de contas de Mabel na Câmara
Relatório positivo não impede questionamentos sobre gestão

A prestação de contas do terceiro quadrimestre de 2025 apresentada pelo prefeito Sandro Mabel (União Brasil) nesta segunda-feira (16) na Câmara indicou mudança no quadro fiscal de Goiânia. O município encerrou o período com superávit orçamentário de cerca de R$ 583 milhões e disponibilidade de caixa próxima de R$ 1,2 bilhão, revertendo o déficit registrado no exercício anterior.
Os dados apontam crescimento da arrecadação municipal, que alcançou aproximadamente R$ 10,02 bilhões no ano, com avanço acima da inflação no período. O aumento da participação das receitas próprias foi citado pela gestão como fator que amplia a autonomia financeira e a capacidade de planejamento do município.
Os investimentos públicos também registraram aumento, passando de cerca de R$ 320 milhões em 2024 para aproximadamente R$ 501 milhões em 2025. A administração projeta manter a ampliação dos aportes, com previsão de mais de R$ 4 bilhões em investimentos até 2028, voltados a obras de infraestrutura urbana e serviços públicos.
O resultado fiscal foi atribuído pela prefeitura ao controle de despesas e ao crescimento das receitas tributárias. A revisão de gastos administrativos contribuiu para reduzir despesas correntes e ampliar o espaço orçamentário destinado a investimentos.
O relatório financeiro mostra que as áreas sociais permaneceram entre as prioridades na aplicação dos recursos públicos. Os percentuais destinados à saúde e à educação ficaram acima dos mínimos constitucionais previstos na legislação.
Outro indicador apresentado foi o nível de endividamento do município em relação aos limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A despesa com pessoal permanece abaixo do teto legal, o que, segundo a gestão, permite maior previsibilidade na execução de projetos futuros.
A apresentação dos dados ocorreu em meio a debate político sobre a condução administrativa e a relação entre o Executivo e o Legislativo. Vereadores da oposição questionaram aspectos da prestação de contas e cobraram esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos públicos.
O cenário coloca como desafio para a administração municipal a conversão do equilíbrio fiscal em resultados percebidos pela população. A execução de obras, a manutenção dos serviços e o diálogo institucional tendem a influenciar a avaliação sobre a gestão nos próximos períodos.
Apesar do cenário fiscal positivo, a condução política da apresentação provocou reações imediatas de vereadores da oposição. O prefeito deixou o plenário antes do início dos questionamentos parlamentares, transferindo a continuidade da explanação para a equipe econômica, atitude que foi interpretada como sinal de desgaste na relação institucional.
O clima de confronto se intensificou após declarações públicas consideradas duras por adversários políticos. O episódio evidenciou que, mesmo diante de números favoráveis, a gestão enfrenta desafios no campo do diálogo e da articulação política dentro da Câmara Municipal.
O episódio também expôs a necessidade de aprimorar os canais de transparência e comunicação entre Executivo e Legislativo. Em um cenário político cada vez mais polarizado, a apresentação de resultados fiscais passa a ser acompanhada de disputas narrativas que influenciam a percepção pública sobre a gestão.
A repercussão do caso reforça a importância do acompanhamento social sobre a aplicação dos recursos públicos e da atuação fiscalizadora dos parlamentares. A prestação de contas, além de obrigação legal, funciona como instrumento essencial para fortalecer a confiança entre governo e sociedade.
Diante desse contexto, o desafio da administração municipal passa a ser transformar o resultado financeiro positivo em avanços perceptíveis no cotidiano da população. O equilíbrio entre responsabilidade fiscal e sensibilidade política tende a definir os rumos do debate público nos próximos meses.