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COPA CATAR 🇶🇦 Jornalista brasileira relata ataque de torcedores do Irã após partida contra os EUA

Jornalista brasileira disse ter sido atacada por torcedores do Irã durante a partida contra os Estados Unidos (Photo by Matteo Ciambelli/DeFodi Images via Getty Images)
 

A Copa do Mundo do Catar tem sido palco de críticas por causa de sucessivos ataques aos Direitos Humanos. Diversas pessoas têm sido impedidas de andar livremente pelo país por causa de vestimentas e símbolos usados. Um dos protestos mais fortes que tem acontecido vêm dos torcedores do Irã. Muitos não cantam, alguns chegam a vaiar, o hino e as mulheres usam o evento para criticar o regime do país que desde setembro endureceu a repressão a diversos movimentos que eclodiram no país.

No entanto, os manifestantes acabam sendo atacados por torcedores que apoiam o regime político do país. Na noite desta terça-feira (30), a jornalista brasileira Domitila Becker registrou esses ataques e também relatou ter sido ameaçada e atacada por iranianos presentes ao Estádio Al Thumama, onde acompanharam a derrota do Irã para os Estados Unidos por 1 a 0.

“Estou um pouco emocionada porque foi uma situação bem tensa. Eu entrei na torcida para conversar com as mulheres, para ver como elas torciam, como está a situação no Irã. As pessoas na torcida começaram a me perseguir. Começaram a tirar foto minha, das pessoas que estava conversando, e aí as mulheres lá não queriam falar comigo”, relatou Domitila em vídeo publicado no Instagram.

A jornalista relatou que nas poucas conversas que conseguiu com mulheres, algumas passaram o telefone e disseram que não poderiam conversar no estádio. Uma delas disse que há representantes do governo do Irã no Catar para monitorar o que está sendo falado do país e evitar protestos contra o regime político.

“A maioria das pessoas que estão aqui são enviadas do governo do Irã para fiscalizar o que está sendo dito. Peguei o telefone de mais uma menina, que estava com a bandeira escondida, com medo. Mas ao mesmo tempo disse que precisava fazer isso [exibir a bandeira], em nome das mulheres que estão sendo atacadas pelo regime. Ao sair do estádio, um grupo de homens cercou uma menina e pegaram o telefone dela”, continuou o relato a jornalista.

Ao final, Domitila conseguiu conversar com um casal de iranianos que moram em outro país. A mulher disse ter sido agredida e que a Polícia do Catar nada fez para ajudá-los. “Aparentemente é assim que as coisas funcionam no Catar”, disse o homem.

Copas que foram realizadas em países autoritários como o Catar

Não é a primeira vez que a Copa do Mundo acontecerá e um país autoritário, como o Catar. A Fifa já havia sido criticada pela escolha da Rússia em 2018, país com algumas restrições a direitos civis. Voltando um pouco mais na história, temos o exemplo do mundial de 1978, disputado na Argentina. Os hermanos viviam uma ditadura militar que, até hoje, gera suspeitas de interferência política nos resultados do mundial. O autoritarismo teria entrado em campo para beneficiar a própria Argentina, campeã da edição. Outro ditador que aproveitou do Mundial em seu país foi Benito Mussolini, na edição de 1934 disputada na Itália. Ele usou a Copa para fazer propaganda de seu regime fascita e ainda pressionou os jogadores a vencer o campeonato. Antes da final, a seleção recebeu um bilhete do fascista: “Vitória ou Morte” foi a mensagem enviada. Coincidência ou não, a Itália foi campeã naquele ano

Redação GOYAZ

Redação: Telefone (62) 3093-8270

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